As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Minha voz não macia

Ela não era mais dona de meu sorriso
E me desencantou com uma voz que já passou da conta
Das doses, dos tragos, das posses, dos estragos
Da bebida amarga, outrora doce, que foram os beijos

Ela provou de minha voz não macia
E em goles largos de murmúrio e mágoas
Indeclarou sua incapacidade de amar
Num gesto dúbio de sorriso indiferença

Dava-lhe azia, minha tranquilidade
Ânsia de vômito, minha seriedade
Ela ruminou minhas palavras
Se negando a engolir aquela história

Eu olhei pra o céu, vi que as horas se iam
E sem querer perder mais tempo
Tirei meu chapéu, o anel, os inversos que nos uniam
E como um solo desafinado, estava a união de sonhos desfeita.

Não me lembro bem
Mas acho que era mais tarde do que nunca
Se era noite, dia ou madrugada
O que importava é que a vida agora amanhecia
Eu estava leve, e por dentro.
Então recitei um profundo silêncio
De olhar pro mundo e canção vazia.



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