As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

sábado, 19 de julho de 2008

Crença

Venho sobrevivendo
A cada ataque de teus distantes carinhos
O olhar, o cheiro, o sorriso...

Me desmantela essa tua coragem
Esse poder de me encarar descrente
Em qualquer forma de poesia impronunciável
Desnecessária recordação a rondar-me
Como o teu nome posto à mesa
As pernas em suas certezas
E as palavras indigestas
Ignorando desejos

Eu me percebo nessa farsa,
Nesse teatro de gestos indecisos
De mãos em mãos que não dançam coisa com coisa.

Como os que cantam,
O que preciso é ter uma certeza
Mesmo que incerta
A porta do teu peito
Ao menos entreaberta
O que preciso é acreditar em algo
Mesmo que inventado
O que preciso é acreditar na altivez dessa palavra
Mesmo mentida,
Nas estórias que me deram teus olhos de atriz

O que preciso é acreditar naquilo que sempre existiu.

E ironicamente, nunca inxistiu.
Sempre.
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