As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Auto-Retrato


Pra desenhar em mim qualquer forma de desejo
Bastam-me esses olhos, traçando uma forma de dizer que o beijo
Vai pintar o futuro numa profecia rabiscada com a dança das tuas mãos
Os versos em questão, os tons dos sons e das cores
Os amores, as solidões, tudo vira flores reverberando sensações
Tentando apenas dizer, que o que se pode fazer, vai além do corpo
Escorre pelos poros, se esparramando pelo violão e pelas telas

Escrevemos, entoamos, desenhamos e sonhamos!
Que simplesmente o mundo possa ver um pouquinho de nós
Como nunca nos imaginamos
Bastam-me esses olhos, que me fitam e dizem tudo
Não preciso mais imaginar algo que não pudesse ser
Uma obra prima, irmã, mãe, avó, todas em uma só você
A mulher que me seduz
Por sua grandeza e complexa simplicidade

Mostre-me o que vem dentro de ti
Através da poesia dos teus dedos
Eu te cantarei meus segredos
Mesmo sem poder esperar
Que me fale dos seus medos
Viverei a tentar ler e traduzir
Através do que reluzir
Inevitavelmente dos teus auto-retratos

Tudo o que posso fazer é te sentir
O resto é incolor
Um ensurdecedor silêncio
Quando calo
















* Fotos e arte de Rebecca Gaillac
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