As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O espetáculo



Renato Alarcão


Saímos das nossas vidas da mesma forma que entramos
Sorridentes, desprendidos, fizemos festa e cantamos
Alegria não sobrava, tomávamos tudo
Se o sofrer se achegava, ficava mudo!

Tudo que ouvíamos, sentíamos
E curtíamos, ignorando a dor
Nosso espetáculo foi indo. Lindo
Até que se acabou

Nosso mundo era perfeito
Me recordo do beijo que me marcou
Teus lábios me rasgando a pele e adentrando
No templo sacrário onde rezei tua canção
E com unhas e dentes, quentes
Você, ferrando-me o coração

Ensaiamos na sua vinda da mesma forma que sonhamos
Com os improvisos, e as marcas que deixamos (combinamos)
E que nos guiaram, quando na escuridão
Nos concentrávamos nos personagem e nas falas em questão

Estreamos nossa vida da mesma forma que pensamos (ensaiamos)
O trapézio, o equilíbrio, o circo em chamas que armamos

A dança, o fogo
O truque, o jogo
O público desesperado

Todos apenas aguardavam
O fim do nosso amor
A tanto anunciado

A banda rufava!
A luz sombreava!!
A platéia enlouquecia e sonhava!!!

A bailarina abriu os braços e voou
Se encantou...

E agora! E nós?!

Não precisamos mais de suas palmas
Tanta alegria nessa tragédia não me acalma
Podem ir embora
Eu sou um palhaço
Ela mesmo falou.
Minha vida não tem mais graça
Já não me interessa
O que seja verdade ou farsa

O espetáculo acabou.
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