As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

terça-feira, 16 de março de 2010

Caminho II

Meu suspiro em fogo
Feito hálito de dragão
Alimentando-se de teu perfume
Armou-se pra incendiar
O que impedia o caminho.

Eu reneguei outros mundos
Queria apenas continuar aqui
Ver como seria a próxima estação
Mesmo sabendo
Que poderia estagnar minh'alma
Foi por amor.
Acreditando que de certa forma
Nunca estarías só.

Que a lembrança ressoasse feito música
Nos fazendo repensar ou permitir-se

Tudo bem se hoje não somos.
E que talvez, seja estranho.
Nos veremos sentados
Aos lados um do outro
Sem historias à contar
Sem memórias pra admitir
Sem físicos carinhos.

Nos reencontraremos talvez até sem perceber
E até mesmo que não queiramos sofrer
Fingiremos felicidades
Reverberarão saudades
A reluzir, pelos anos,
Refratadas em amanheceres
E luares

"E assim,
Eras?
Era ela
Era eu.
Tombará o sol?
Marés insurgirão
E será a tão esperada nova era.
Ela me verá.
Eu a verei.
Sim,
Talvez nos vejamos.
E nenhum de nós estará sonhando
Porque tudo já havia sido acordado."

Ela sempre tinha razão.
Eu nunca não.

Meu silêncio deixei guardado
Com um beijo dormido
Pra não compor um pecado
Num intervalo sem sentido.

Dissonante ilusão,
A consumir meu coração,
Meu suspiro feito fogo
Como hálito de dragão
Renascendo das cinzas
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