As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

quarta-feira, 23 de março de 2011

Dois

Uma das mãos acenava
A outra guardava uma flor
E o sorriso era de quem tinha saudade
Um dos olhos estava no tempo em que nos conhecemos
Ou outro me fitava, querendo me despir
Num ouvido ela tinha o vento
A canção que sempre lhe guiara
No outro, meu beijo a lhe enlouquecer
Em uma das narinas ela tinha o perfume
O lugar que nunca deixou
Na outra, meu cheiro a lhe descontrolar
Num seio ela tinha meu coração
Que muito além do prazer
Sentia pulsar a paixão a povoar os sentidos
No outro ela tinha meu amor jurado e desejado
Na boca ela tinha carinhos
O prazer se fazendo canção
E o meu corpo vibrava no seu
Uma linda melodia, numa leve tensão

E a cada respiração diminuíamos
A saudade e também todo medo
Os sentidos já estavam perdidos.
Só sabíamos o que precisávamos,
Vivermos como nunca e sempre
E refazer exatamente tudo diferente
No abraço sentimos o mundo
Lembrando-nos que éramos
Apenas duas crianças crescidas
Se reencontrando a brincar

Nada, é impossível!
A realidade vivendo e sonhando
Dois corpos num mesmo espaço habitando
Um só lugar

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