As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Improviso

Pareceu uma eterninade
Mas por alguns segundos
Meu gesto perdeu-se meio inseguro
Minha voz congelou-se no vento frio do teatro
Quisera eu que fosse proposital,
Aquele silêncio descomunal, em uma cena por Sidnei Cruz dirigida,
Ou uma interpretação espetacular de uma maturidade adquirida
Mas não, meu olhar perdeu-se ao encontrar
A luz encadeante que vinha da plateia
Nem tive tempo de me preparar, fugir
Os críticos, claro, já haviam notado
Eu havia me desconcentrado, naturalmente,
O público, sentiu como se fosse um movimento ensaiado
E até ficou identificado, emocionado com a verdade que ali sentia
Seria se fosse se foi arte, meu devaneio escancarado que ninguém via
O espetáculo então passou a ser
Meu inseguro olhar apaixonado.
Assim interpretei
Assim fui interpretado

Até hoje falo pra todos que foi combinado
Mas aqui pra nós,
Roubou-me o coração e a cena
Aquela menina
Que dançava sentada,
Pairada em minha frente,
Feito uma bailarina
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