As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

terça-feira, 29 de abril de 2014

Alma Feminina III

Como quem não quer nada
Ela me pergunta sobre o céu
E eu respondo com o vôo dos pássaros
Me pergunta sobre o mar e suas veias de rios
E eu respondo com os olhos d'água,
Falo da Iara, de oxum, das sereias de Iemanjá
Me pergunta sobre o fogo
E eu respondo com a paixão, e a luz e calor das estrelas
Me pergunta sobre o vento
E eu respondo com minha voz e respiração 
Sobre a terra, ela me pergunta
E eu lhe canto uma peça de reisado
Piso e rodopio nos passes firmes d'um trupé
Danço como que acabou de renascer no colo das mãe-ãs
E como homem, eu a respondo como mulher

Sorrindo, brincando, ela me pergunta se eu a amo
Eu respondo
E ficamos filosofando
Nos amando
Até cansar
E descansar
E eu lhe canto ao pé-d'ouvido:

Meu amor!
Não te esqueças, eu de nada sei
Tudo isso, meu bem, já lhe falei
Foi, é você, quem me ensinou, me ensina
O sentir, a cantar, a ser
Mulher
Ter alma feminina
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