As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A Tao da Física

Quando paro pra pensar
O tempo passar por mim
Quando penso caminhando
Quase sempre consigo acompanhar o tempo
E acredito que sigo no tempo das coisas
Mas, quando não paro pra repensar
Desnecessários porquês
Sinto que me sobra um tempo relativo
Aos sentimentos que temos pelas coisas simples
Tempo pra o que sentimos em razão do sonho
Tempo pra o que acreditamos em função da arte
Tempo para a fé cega às intolerâncias
A gravidade torna-se leve
E o espaço traduz-se 
Pressinto a comunhão do espírito
Com a matéria em estado de composição 
Minha música, inexplicavelmente
Propaga-se no vácuo
Deixando um rastro fecundo de vida
Como uma poesia, varando o infinito
Sem carecer de explicações
Escrita pelos ciclos das vidas
O amor, numa língua ancestral, universal
Em cinco dimensões

Tenro

Ontem-hoje
Cheguei pelo céu aberto
O tempo choveu
Encarregando-se de aguar o terreiro
Brinquei como um cão rolando no chão
Enquanto a noite despia-se das nuvens
, pra mim,
Durante meu entressono
Os sons da noite transmutaram-se
Dando espaço aos sonhos do dia
Os pássaros cantaram fortuitamente
Senti-me em casa 
Escrevendo meus pensamentos
Como se minhas impressões
Na gravidade da luz
Fossem tivessem o som de poesias matriciais
Ou mesmo, indo além,
Cheiro, cor e lembranças
Das provas finais em estêncil
Feito o branco-azul-manhã
Dos meus jardins da infância
Tenro

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

EnCantoria

Do firmamento, invisível de tua janela
Em silêncio entro em sinfonia com o universo
E de alma debruçada sobre o teu corpo celeste
Vejo a luz curva-se em seu horizonte infinito
E nesse estático movimento de dança
Ouço a noite passar sem sair do canto