As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

sábado, 19 de agosto de 2017

Paradigma

A estrada liberta

Nos ensina a conhecer

A conviver e conversar, cantar 

Com as pedras, flores e espinhos

Mas, não deixo de pensar, 

Que depois de tantos caminhos

Hoje eu realmente não sei

Se tenho medo

Ou se gosto de estar

Sozinho


domingo, 13 de agosto de 2017

Voa

Voa!
Que o tempo urge
E já não precisas mais estar aqui
Você já nos iluminou, nos ensinou
Nada mais justo que seguir
Nós que aqui ficamos,
Espero que continuemos
Livres a sonhar
Como tu nos ensinou
Voa segue os bois voadores
De galáxias distantes
Espalha purpurina
Nesse céu gigante
Pedimos licença,
Vamos chorar
Mas não só de tristeza
É tua lembrança a nos emocionar
E se não for inspiração e alegria,
Deixa, em amor e esperança
Essas lágrimas
Hão de se transformar
As cornetas no paraíso
Hoje vão tocar
Felizes por você chegar
Voa
Segue o menino 
A brincar

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Mantra

Queria que tudo

Fosse simples assim

Mas é. Não é? 

Mesmo com a sensação

Do tempo passado

Desacelerando dentro de mim

Lá fora, na rima livre do verso

Onde se recrio meu universo

Não vejo a hora, o ano luz

De partir e retornar

A ser

O ser

Não ser

Eis a questão

Renascer

Om

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Não Lugar

Sou um cearense 

Assistindo pelo celular

Um documentário de Ruanda

No pátio de Higienópolis

Tomando um café expresso

No intervalo de um filme americano


Talvez aja um futuro nessa história

Onde eu pare e veja a loucura desse(s) dia(s)

Onde tantos me estranham por não serem diferentes

Imaginem o que se passa em minha cabeça

Foi assim que eu me senti imaginando

O que se passa na cabeça deles


Mais que medo, era ódio

Me viam como ignorante

Comendo um doce cubano

Como se eu fosse gente

Que deveria estar tomando refrigerante


Até hoje eu canto e não entendo

Como tudo me veio à mente naquele instante

Enquanto a atendente chinesa ria da negra

Que passeava livremente, como se seu sorriso fosse

A porta escancarada pra um mundo encantado

Onde o amor era o elo perdido e encontrado

Uma oração de uma crença que libertava

Não escravizando aqueles que buscam esperança 


quinta-feira, 11 de maio de 2017

Avenida Padre Cícero

Porque?
Não sei.

Você sempre diz
Que tenho algo bom pra falar
Que minhas palavras são bonitas
Poesias que te refazem sonhar

Bem, diariamente
Nesse caminho que seguimos
Traficando amor entre essas cidades
Derrubando fronteiras
Talvez por amizade
Necessidade ou carinho
Eu tenha pensado alto demais
Me fazendo parecer sábio

Eu apenas olho pra ti
Vejo você na paisagem
Compondo a cena na estrada
E vem a inspiração.
Isso deve mexer
Com minha mente
Com minha alma
Meu coração
Sim

Atento à direção
E na dinâmica desse movimento
Cruzando o vale, eu canto.
Canto pra ti!
Canto pra mim
Pra quem ouvir
Sim!
Pra quem quiser sentir
Isso te faz sorrir
E me alimenta a paixão

E sigo o caminho
Que a vida nos oferece
E aprendi que entre nascer e morrer
Podemos escolher
Cantar ou não
Amar ou não
Sonhar ou não
Sim.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Alto de Santa II

Do alto

Vejo o horizonte de eventos

E esse futuro parece possível

Sim, parece ser real

Sonhar não. Viver não faz mal!

Esse utópico mundo existe

E acreditem não há nada igual

O feminino se liberta

E se antes já não havia

Agora mesmo é que não há

Nada de anormal




Alto de Santa

Veja, ouça
Sinta
Essa paz.
A paisagem que buscamos pra o infinito
Em que descansam os olhos
O silêncio que encanta os ouvidos
A canção que ensina os sentidos
A cura pra todas as nossas dores
Nos relembrando amores
Que não se foram
Que não se vão
(Amores verdadeiros vem e ficam)
Pela evolução,
Em amizade 
Nos transformam
Nos ensinam
A entender
A conviver
Com o não. 

domingo, 19 de março de 2017

Amanhecer

Pessoas não são pra sempre
Paixões não são pra nunca
A eternidade é poder demais
Pra não se aprender

Quantas vezes preciso morrer
Renascer
Pra conseguir perdoar?
Se libertar

Saber. Escolher certo ou errado,
Sim. Não. Podes até julgar,
Mas te preparas,
Julgando ou não, serás julgado

Pessoas não são pra nunca
Paixões podem não ser pra sempre
Mas o fim é pra se aprender
Recomeçar

domingo, 25 de dezembro de 2016

Candelária

No azul da candelária
A estrela renasce humilde
Por entre as torres, de alguma forma,
Há esperança
A luz escorre pelas frestas do tempo
E em uma inevitável triste constatação
O ódio e a incompreenção
Parecem não ter perecido
Sobreviveram a chacina
Como um macabro milagre às avessas
Respiro e sigo caminho
Deixando uma oração soar em mim:
Amor
Qual outra palavra e sentimento
Poderiam amenizar
A dor da deslembrança?

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Desperto

Perdoa-me
Amanhã
Passou por mim
E eu não estava

Em seus braços, alheio ao tempo
O amor incansável nos fez dormir
Como se a noite fosse tarde
E a madrugada o nascer dos dias
E se essas palavras não fizerem sentido
Que então nos façam sentimento
Porque se antes seria triste
Perder a poesia do sol nascendo
Agora abro os olhos
E tenho teu olhar
A mais linda manhã que nos demos
Livres no espaço, nosso leito
Um "horizonte de eventos"

Acordo, e ainda em silêncio
Por dentro estou cantando
Você aqui ao meu lado
Aos poucos despertando
Para juntos fazermos da tarde
A mais bela manhã que sonhamos

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Fecundo

Adoro os dias chuvosos
O Cheiro molhado das coisas
O som das gotas rompendo o céu
A luz branda filtrada pela densidade do ar
A contradição do tempo diminuto da natureza,
Em relação ao alvoroço sem sentido das pessoas.
Água por fora, água por dentro
O amor é liquido
Tudo é fluidez

Na cidade, a chuva lava
Por vezes até maldizida
No sertão, a chuva lavra
Feminino sêmen d'água
Que deixa a terra ungida
Fecunda o solo sem mágoas
Estancador de feridas

E se enverdecendo
A tristeza, a angustia
Tudo vai passando
Como a caatinga fulorando,
A bonina que rompe o asfalto,
Tudo finda. Recomeçando.

sábado, 12 de novembro de 2016

Me Perco

Me perco
Me confundo sentindo
Forma, cheiro, som, gosto
As cores em você refletindo
Perco a direção
Me perco no caminho
Perco a razão
É tanta informação
Acesso lembranças na rede
Mas não encontro o seu coração
Há algo errado
Há muito estou parado nessa estação
E quando penso que não, passou
Perco o trem do acaso
Perco o trem do destino
Dei bobeira,
Perco a condução
Buscando uma sua última mensagem
Mas também percebo que perdi a passagem
Me encontro perdido
Viajo, me perco no espaço
Que estranho sentimento
Perco a gravidade
Perco até o tempo
Tudo o que encontro nesse vácuo
É uma força do universo:
Saudade
Tudo o que restou.
E mesmo descrente
Canto pra não perder a fé
Ai ai que bom! Que bom, que bom que é
As flores, se tornam poesias no caminho
Nessa bela paisagem
Outrora cheia de espinhos
Que agora sigo a pé

Por isso nunca perdi o amor
Nem a chance de lhe dizer,
Agradecendo tudo aquilo que sou,
O que sinto por você 

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Romance

Temos tantos nomes
Que nem sei como te chamo
Ela quis guardar essa lembrança
E só tinha meus olhos

Eu só tinha seus olhos
E se quisesse chamá-la
Como as ninfas e sereias,
Apenas perdendo-me
Nos mistérios do mundo
Pra encontrá-la
Em nosso amor vagabundo
Somente cantando

No arrebol, desaguando
Tingidos desejos
Em nuances de vermelhos

Do vestido de nuvens
Ao espelho das águas
O desencantar
Na tardã lua cheia

Ah! Minha mãe das águas!
Derrame em mim teus segredos
Nem que eu me cegue
Ou enlouqueça
Arrisco perder meus medos

Sonho em te ver mais uma vez
Antes que a noite se vá
E a magia se quebre
E por alguma desnecessidade
...a gente se esqueça

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Bel Saudade

Ela
Em seu charme de horizonte
Tão bela feito céu
Não apenas limpo
Seja dia de sol
Ou nublada
Em chuva em tempestade,
Sua beleza é natural
E sua voz cantando
Me dá prazer e tristezas
Assim como é viver
E nisso está sua beleza
Verdadeira
Inevitável
Feminina canção
De todas as cores
E tonalidades
Que chega ao meu coração
Em outro hemisfério
Ecoando no vento
Do fim da tarde

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A Canção do Vento

Ela percorre o cinza e verde
Da aridez aos olhos d'água
A beleza da velha estrada
Em busca das alegrias
Que fazem do caminho
A morada dos sonhos em flor

Da beira Rio à beira Mar
Folhas trilhando o vento
A margem das palavras
Na dimensão encantada
Onde as paixões
Refazem a alma
Cantar, viver, evoluir
Aprender
A preferir sorrir

Os que não se arriscam
Muito que possivelmente
Não saberão ler ou descrever
A poesia de um desejo
(Mesmo que passageiro,
Mesmo que reinventado),
A sinestesia do tempo nublado
Do cheiro do gosto da terra dos labios
O desaguar relapejado
A bênção de um grande amor

Fazer o destino
Deixar pra trás
As más tristezas
Lavrar o corpo
Nas aguas sem represa
Seguir em frente
Espalhar sementes
A canção do tempo
Da natureza

terça-feira, 23 de agosto de 2016

A pequena Esperança

Veio pra nos ensinar
A pequena Esperança
De que tudo vai melhorar 
Nosso amor foi assim,
Tão simples e difícil como perdoar

Quando a paixão toma o rumo
Do sentimento que emana
Tudo pode desandar
E até o mais sincero amor se engana

Poderia ter sido tudo mais simples
Tudo tão fácil, mas, não foi
Foi o que tinha de ser
E tanto crescemos
Não há o que se arrepender

Pois a vida nos colocou
Uma pequena Esperança 
E o que antes não havia solução
Hoje entendemos
Essas loucuras que inventa 
O coração
As erradas certezas que sente
A razão

Tão simples e difícil
Como educar uma criança  
Nosso amor foi assim
Aprender a perdoar
Com Esperança

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Crescendo Juntos

Sempre fui uma confusão de afins
A idade desacreditando
De tudo o que não se podia mudar
Ai, aprendi a pedir desculpas
(Inclusive pra mim mesmo)
E tocar uns três acordes de violão
E assim, sendo-me educado
E acreditando saber cantar
Sendo gentil comigo
Aprendi a te admirar,
Porque admirar a si mesmo nem é feio
Mas perigoso

Como te reconhecendo diferente
Apaixonados
Por tudo o que poderia ser impossível
(O que ensinaram ser impossível e errado)
Amar alguém alem do sexo, alem do gênero,
Amar alguém alem de amar alguém

Pintar os cabelos de azuis (vários tons de azuis)
Ter nascido e morrido
Renascido,
Em várias dimensões e tempos
Em ti, em mim,
Em todos os nossos filhos não nossos

Mesmo sentindo-me uma adolescente criança,
Me engano: Pareço que cresci um pouco...
Mas, não tanto a ponto de desonhar
Existe coisa mais boba na poesia
Que o neologismo?

E ja nao me cabem mais
Aquelas velhas ideias adolescentes
Alias, nem todas,
Muitas ainda me servem
Em seu desbotado silencio,
Tingidas de entardecer,
Ou roupas de dormir e sonhar,
Tudo aquilo que desuso
Quando estou nu
Quase sempre
Contigo

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Morte e Renascimento

O grande espirito concede
A deusa terra permite, e assim,
Banzé me relança no mundo
Iansã me guie nesse temporal

Sigo no meu intento
Mago pagão ateu cristão
Enfrentando todo mal
Trago meu grito de guerra
E de espada na mão
Invoco os ancestrais
São caboclos mestiços
Mestres, mestras,
Aprendizes
Figuras do Reisado

Lanço meu aboio
E danço em meu próprio laço
A voz ecoa no espaço
Numa melodia forjada
A sonho e aço
Em giro, num transe descalço
Me vejo: Eu sou o boi
E o capitão do mato
Meu inimigo
Esta dentro de mim
O ser humano bárbaro
Que acha que me dominou
Mas, rogo à mãe D'água
Para voltar a ser quem realmente sou
Na ansia de quebrar esse feitiço
De findar essa maldição
Refaço em canção
A reza de minha avó
A oração que ela me ensinou
Essa brincadeira, essa peleja
Começou ainda criança
E ainda nao findou
O inimigo está dentro de mim
Minha carne foi comida
Minha alma foi fundida
Com a daquele que me aprisionou
Hoje sou, e nao sou mais criança
Mas lembro de tudo,
De como tudo começou
Sou caboclo cariri beato,
pedinte cantador penitente
negro, mulher cantador renitente
Transfigurado com os traços do meu opressor
Trago todos os seus defeitos
Mas também a força bruta
Daquele que acredita que me dominou

No terreiro brincado reisado
Eu sou velho mestiço
Preta velha, negro, caboclo, índio
Senhor, sereia, menina
Rezadeira Curumim,
E refaço o caminho em mim
Daquele que me pensa
Que me exterminou
Hoje eu também sou meio branco
Mas como Chico, de alma incolor

Nesse terreiro, Mãe de santo
Me vejo em partes de tudo que fui
Agora, é hora de voltar
E consciente,
Ja sem ser mais inocente
É minha a responsabilidade
De fazer e disseminar poesia
Mesmo com toda dor,
Estando alem do sofrimento
Daquele que sente que me derrubou
Na brincadeira, assim como na realidade
Eu ja fui, hoje não mais sou
Aquele que me feriu.

Como o boi,
Morro e renasço
E assim refaço
Meu destino
Tendo que ser
Meu proprio mestre
Me ensinando o óbvio

Amor

sábado, 18 de junho de 2016

O Tempo das Flores

A florista lia um livro
Esperando o tempo passar
Mas o tempo não passava

E ela lia, e olhava a paisagem
Às vezes confundindo
Pessoas e flores
Perfumes  e vontades

Entre a fantasia e a realidade
A sua poesia amadureceu
Ela terminou o livro e sorriu
Porque o tempo passou
E ela nem viu

terça-feira, 7 de junho de 2016

Olhar

O teu olhar
O olhar do outro
O meu olhar
O olhar
O outro

A vista não detém toda visão
Quem se arrisca
Logo vê que está cego
Eu me nego a não ver
O que está certo
Tudo o que enxergo
É a beleza de tua poesia
Em minha voz
Em meu canto
Meu amor