As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Corpo

É só um corpo nu...
Poderia até ter, mas,
Não precisa legenda
Conceito ou preconceito
Se é belo, feio, bem ou mal feito,
Se vc reflete, se é “cultura”, arte ou não
Arte esta já seria, pela essência da questão.
Estar despido de ódio
É muito mais simples e cristão
Do que agir com ignorância,
Pecado seria a falta de amor
Vestir-se com as ilusórias roupas
Da razão


sábado, 7 de outubro de 2017

Não

Não
Mesmo que seja uma boa lembrança
Não fique pensando nele
Sintonize outras coisas
Outras bocas
Outros beijos
Em outras formas de amor
Outros desejos
A paixão nos deixa
Assim
Meio desleixado da gente
Eu sei que isso não é bom
E sei que é melhor ainda
Pra recomeçar
Pense agora em
Tudo o que podes fazer
Na liberdade em que estás
A felicidade de cantar uma canção
Sem a obrigação de cantar

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

De sol a Sol

O amor está
Em todo lugar
Onde a gente
Quiser que ele esteja
Inclusive onde
Alguém "não quiser"
Que ele esteja
Como a noite e o dia
Que tudo devora
É só olhar pra dentro
É só olhar pra fora
Ele circula pelo céu
Na poesia da existência
É meu, é seu
É mel, é fel
Amorciência
Feito a estrela que brilha
Mesmo que ninguém a veja
Ela não gira em torno de nós
Nós quem circundamos
No contorno de sua beleza
Lutando contra a gravidade
O frio e a maldade
O tempo e sua verocidade
E a solidão das incertezas

domingo, 3 de setembro de 2017

Meu Vago Vagão

Mesmo quando parado

Sigo andando

Mesmo sozinho 

Estou com você cantando


Meus pés descalços

Falam da estrada

Meus pés calçados

De onde vim


O retrato diz onde estou

O olhar diz pr'onde vou

E esse verso acanhado

Fala de mim


#geraldojunior #espeditoseleiro #cariri #cangacourbano #cangaço #terreiradacearense


quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Prece Cósmica

O que leva uma pessoa a xingar alguém na rua por se vestir um pouco fora de um padrão, usando uma saia? Uma saia discreta, longa, e eu nem estou maquiado, de batom, rímel, minha barba até está grande, cabelo de coque... Digo isso porque até entendo, as pessoas estranhando quando estou um tanto mais arrumado.
Pra poder ter a liberdade de me vestir como quero sem absorver esse ódio, foi muito chão. Medito, preparo a mente e saio por aí tranquilo, na sintonia da paz e do amor. Só na adolescência eu andava fazendo as coisas escondido, por medo ou preocupação desnecessária, ou pra evitar desgastes com a família.
É triste constatar esse novo obscurantismo o qual vivemos. A mulher era até jovem, aparentava ter tido algum estudo e oportunidades. Não quero nem devo julgar, pois também seria preconceito, mas apenas imagino que ela não deve ter tido referências que lhe mostrassem que não há nada de errado nisso, e, que temos que respeitar qualquer um ou uma. Impressionantemente, enquanto escrevia essa postagem, um bêbado reclamava na parada de ônibus: E daí se eu sou nordestino?! Querem me expulsar, mas, eu moro aqui! Essa cidade é minha também. E daí se eu sou pernambucano, paraibano, baiano, cearense?!
"Tudo isso acontecendo eu ali na praça alimentando os pombos na minha cabeça". Durante o tempo em que pensava e ia escrevendo, no meu ouvido, o modo aleatório tocou Tom Zé - Todos os Olhos, The Doors - Moonlight Drive, Luiz Gonzaga e Gonzaguinha - Pense Neu, e (acreditem se quiserem) Secos e Molhados - "Prece Cósmica", poema de Cassiano Ricardo musicado por João Ricardo para o primeiro álbum de 1973 do Secos e Molhados.
Que os quatro
Como num teatro
Conservem a mão
Sem nenhum
Gesto
Que o vinho quente
Do coração
Lhes suba à cabeça
Espêssa
Que do bolso de
Cada um dos
Quatro
Como num teatro
Voem pombas
Pombas brancas
E amanheça
Só a Física Orgânica a Química Quântica e a Biologia Espiritual explicam

sábado, 19 de agosto de 2017

Paradigma

A estrada liberta

Nos ensina a conhecer

A conviver e conversar, cantar 

Com as pedras, flores e espinhos

Mas, não deixo de pensar, 

Que depois de tantos caminhos

Hoje eu realmente não sei

Se tenho medo

Ou se gosto de estar

Sozinho


domingo, 13 de agosto de 2017

Voa

Voa!
Que o tempo urge
E já não precisas mais estar aqui
Você já nos iluminou, nos ensinou
Nada mais justo que seguir
Nós que aqui ficamos,
Espero que continuemos
Livres a sonhar
Como tu nos ensinou
Voa segue os bois voadores
De galáxias distantes
Espalha purpurina
Nesse céu gigante
Pedimos licença,
Vamos chorar
Mas não só de tristeza
É tua lembrança a nos emocionar
E se não for inspiração e alegria,
Deixa, em amor e esperança
Essas lágrimas
Hão de se transformar
As cornetas no paraíso
Hoje vão tocar
Felizes por você chegar
Voa
Segue o menino 
A brincar

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Mantra

Queria que tudo

Fosse simples assim

Mas é. Não é? 

Mesmo com a sensação

Do tempo passado

Desacelerando dentro de mim

Lá fora, na rima livre do verso

Onde se recrio meu universo

Não vejo a hora, o ano luz

De partir e retornar

A ser

O ser

Não ser

Eis a questão

Renascer

Om

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Não Lugar

Sou um cearense 

Assistindo pelo celular

Um documentário de Ruanda

No pátio de Higienópolis

Tomando um café expresso

No intervalo de um filme americano


Talvez aja um futuro nessa história

Onde eu pare e veja a loucura desse(s) dia(s)

Onde tantos me estranham por não serem diferentes

Imaginem o que se passa em minha cabeça

Foi assim que eu me senti imaginando

O que se passa na cabeça deles


Mais que medo, era ódio

Me viam como ignorante

Comendo um doce cubano

Como se eu fosse gente

Que deveria estar tomando refrigerante


Até hoje eu canto e não entendo

Como tudo me veio à mente naquele instante

Enquanto a atendente chinesa ria da negra

Que passeava livremente, como se seu sorriso fosse

A porta escancarada pra um mundo encantado

Onde o amor era o elo perdido e encontrado

Uma oração de uma crença que libertava

Não escravizando aqueles que buscam esperança 


quinta-feira, 11 de maio de 2017

Avenida Padre Cícero

Porque?
Não sei.

Você sempre diz
Que tenho algo bom pra falar
Que minhas palavras são bonitas
Poesias que te refazem sonhar

Bem, diariamente
Nesse caminho que seguimos
Traficando amor entre essas cidades
Derrubando fronteiras
Talvez por amizade
Necessidade ou carinho
Eu tenha pensado alto demais
Me fazendo parecer sábio

Eu apenas olho pra ti
Vejo você na paisagem
Compondo a cena na estrada
E vem a inspiração.
Isso deve mexer
Com minha mente
Com minha alma
Meu coração
Sim

Atento à direção
E na dinâmica desse movimento
Cruzando o vale, eu canto.
Canto pra ti!
Canto pra mim
Pra quem ouvir
Sim!
Pra quem quiser sentir
Isso te faz sorrir
E me alimenta a paixão

E sigo o caminho
Que a vida nos oferece
E aprendi que entre nascer e morrer
Podemos escolher
Cantar ou não
Amar ou não
Sonhar ou não
Sim.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Alto de Santa II

Do alto

Vejo o horizonte de eventos

E esse futuro parece possível

Sim, parece ser real

Sonhar não. Viver não faz mal!

Esse utópico mundo existe

E acreditem não há nada igual

O feminino se liberta

E se antes já não havia

Agora mesmo é que não há

Nada de anormal




Alto de Santa

Veja, ouça
Sinta
Essa paz.
A paisagem que buscamos pra o infinito
Em que descansam os olhos
O silêncio que encanta os ouvidos
A canção que ensina os sentidos
A cura pra todas as nossas dores
Nos relembrando amores
Que não se foram
Que não se vão
(Amores verdadeiros vem e ficam)
Pela evolução,
Em amizade 
Nos transformam
Nos ensinam
A entender
A conviver
Com o não. 

domingo, 19 de março de 2017

Amanhecer

Pessoas não são pra sempre
Paixões não são pra nunca
A eternidade é poder demais
Pra não se aprender

Quantas vezes preciso morrer
Renascer
Pra conseguir perdoar?
Se libertar

Saber. Escolher certo ou errado,
Sim. Não. Podes até julgar,
Mas te preparas,
Julgando ou não, serás julgado

Pessoas não são pra nunca
Paixões podem não ser pra sempre
Mas o fim é pra se aprender
Recomeçar

domingo, 25 de dezembro de 2016

Candelária

No azul da candelária
A estrela renasce humilde
Por entre as torres, de alguma forma,
Há esperança
A luz escorre pelas frestas do tempo
E em uma inevitável triste constatação
O ódio e a incompreenção
Parecem não ter perecido
Sobreviveram a chacina
Como um macabro milagre às avessas
Respiro e sigo caminho
Deixando uma oração soar em mim:
Amor
Qual outra palavra e sentimento
Poderiam amenizar
A dor da deslembrança?

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Desperto

Perdoa-me
Amanhã
Passou por mim
E eu não estava

Em seus braços, alheio ao tempo
O amor incansável nos fez dormir
Como se a noite fosse tarde
E a madrugada o nascer dos dias
E se essas palavras não fizerem sentido
Que então nos façam sentimento
Porque se antes seria triste
Perder a poesia do sol nascendo
Agora abro os olhos
E tenho teu olhar
A mais linda manhã que nos demos
Livres no espaço, nosso leito
Um "horizonte de eventos"

Acordo, e ainda em silêncio
Por dentro estou cantando
Você aqui ao meu lado
Aos poucos despertando
Para juntos fazermos da tarde
A mais bela manhã que sonhamos

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Fecundo

Adoro os dias chuvosos
O Cheiro molhado das coisas
O som das gotas rompendo o céu
A luz branda filtrada pela densidade do ar
A contradição do tempo diminuto da natureza,
Em relação ao alvoroço sem sentido das pessoas.
Água por fora, água por dentro
O amor é liquido
Tudo é fluidez

Na cidade, a chuva lava
Por vezes até maldizida
No sertão, a chuva lavra
Feminino sêmen d'água
Que deixa a terra ungida
Fecunda o solo sem mágoas
Estancador de feridas

E se enverdecendo
A tristeza, a angustia
Tudo vai passando
Como a caatinga fulorando,
A bonina que rompe o asfalto,
Tudo finda. Recomeçando.

sábado, 12 de novembro de 2016

Me Perco

Me perco
Me confundo sentindo
Forma, cheiro, som, gosto
As cores em você refletindo
Perco a direção
Me perco no caminho
Perco a razão
É tanta informação
Acesso lembranças na rede
Mas não encontro o seu coração
Há algo errado
Há muito estou parado nessa estação
E quando penso que não, passou
Perco o trem do acaso
Perco o trem do destino
Dei bobeira,
Perco a condução
Buscando uma sua última mensagem
Mas também percebo que perdi a passagem
Me encontro perdido
Viajo, me perco no espaço
Que estranho sentimento
Perco a gravidade
Perco até o tempo
Tudo o que encontro nesse vácuo
É uma força do universo:
Saudade
Tudo o que restou.
E mesmo descrente
Canto pra não perder a fé
Ai ai que bom! Que bom, que bom que é
As flores, se tornam poesias no caminho
Nessa bela paisagem
Outrora cheia de espinhos
Que agora sigo a pé

Por isso nunca perdi o amor
Nem a chance de lhe dizer,
Agradecendo tudo aquilo que sou,
O que sinto por você 

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Romance

Temos tantos nomes
Que nem sei como te chamo
Ela quis guardar essa lembrança
E só tinha meus olhos

Eu só tinha seus olhos
E se quisesse chamá-la
Como as ninfas e sereias,
Apenas perdendo-me
Nos mistérios do mundo
Pra encontrá-la
Em nosso amor vagabundo
Somente cantando

No arrebol, desaguando
Tingidos desejos
Em nuances de vermelhos

Do vestido de nuvens
Ao espelho das águas
O desencantar
Na tardã lua cheia

Ah! Minha mãe das águas!
Derrame em mim teus segredos
Nem que eu me cegue
Ou enlouqueça
Arrisco perder meus medos

Sonho em te ver mais uma vez
Antes que a noite se vá
E a magia se quebre
E por alguma desnecessidade
...a gente se esqueça

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Bel Saudade

Ela
Em seu charme de horizonte
Tão bela feito céu
Não apenas limpo
Seja dia de sol
Ou nublada
Em chuva em tempestade,
Sua beleza é natural
E sua voz cantando
Me dá prazer e tristezas
Assim como é viver
E nisso está sua beleza
Verdadeira
Inevitável
Feminina canção
De todas as cores
E tonalidades
Que chega ao meu coração
Em outro hemisfério
Ecoando no vento
Do fim da tarde

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A Canção do Vento

Ela percorre o cinza e verde
Da aridez aos olhos d'água
A beleza da velha estrada
Em busca das alegrias
Que fazem do caminho
A morada dos sonhos em flor

Da beira Rio à beira Mar
Folhas trilhando o vento
A margem das palavras
Na dimensão encantada
Onde as paixões
Refazem a alma
Cantar, viver, evoluir
Aprender
A preferir sorrir

Os que não se arriscam
Muito que possivelmente
Não saberão ler ou descrever
A poesia de um desejo
(Mesmo que passageiro,
Mesmo que reinventado),
A sinestesia do tempo nublado
Do cheiro do gosto da terra dos labios
O desaguar relapejado
A bênção de um grande amor

Fazer o destino
Deixar pra trás
As más tristezas
Lavrar o corpo
Nas aguas sem represa
Seguir em frente
Espalhar sementes
A canção do tempo
Da natureza