As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

domingo, 1 de abril de 2018

O Golpe

Teu movimento é dança
Atemporal gravidade
Transgressora bondade
Eterno nascer morrer
Infinita sinto você, em,
Meu coração saudade

Não há sentido em viver
Sem fazer poesia e lutar
“Hay que endurecerse,
Pero sin perder la ternura jamás”

É como não cantar por ter 
Medo da má sorte
É como não falar da morte
Esperando não morrer

É como ter medo de amar
Por não se achar forte  
É como estar numa ditadura
E não poder gritar: foi golpe!

É como ver o mundo ao avesso
E preferir não não sonhar
Não se olhar no espelho
Num pesadelo de não acordar

Eu poderia gostar de sofrer
Nao me importar, atuar
Nada dizer. Cantar por cantar
Mas não! Continuo a viver
Sem Temer, a morte
Insisto em acreditar
Que existe poesia 
Onde dizes: Não há!

Amar é singularidade
É ter coragem 
E claro, admitir sem medo:
O Amor, amor, amor, amar
Sempre existe poesia
Onde dizem: Não ha!



domingo, 4 de março de 2018

Matrix de Nossa Senhora das Dores

Entradas e saídas
Portais e janelas
Desejos virtuais?
Realidades paralelas?
Onde a ignorância e o ódio reais
Proliferam-se livremente
Sejamos nós mesmos,
Nossos sistemas operacionais
E assim viralizar o amor
Humanizar a dor
Das inteligências
Artificias

sexta-feira, 2 de março de 2018

RELENTO


Não há porque fazer questão
Deixemos tudo pra lá
Não precisa haver razão
Onde ela não precise estar 

É tão bom um aconchego
Ter um jardim, regar uma flor
Um cantinho pra os xamegos
Alguém pra chamar de amor

É normal desentender
Tropeçar, cair, chorar
Mas também, compreender
Abraçar, sorrir, dançar

Então vamos seguir em frente?!
Precises falar ou não,
Estou aqui pra o seu silêncio
Mas também pra sua canção

Toda paixão tem o seu vento
Tempo, espaço e gravidade
Faço meus o teus sentimentos
Sejam brisa ou tempestade

Deixo a tristeza ao relento
E trago pra dentro a saudade
Eu só preciso de um momento
Pra essa canção que me invade
Ajudar meu pensamento
A relembrar como transcendo
Verdadeiro amor em amizade 

Helena e o Mar

Sou das matas
Dos pés da serra
Das aguas doces da Iara 

Ela é do mar
Das aguas salgadas
Sereia filha de Iemanjá

E todo fim da tarde
Quando sento a tocar
Respiro a brisa 
Que ela soprou

Eu respiro fundo
E fico a recordar
Helena e o mar
O mar, o mar, o mar

Eu vou, eu fui e aqui estou
Tão perto e distante
Em nosso amor navegante
Que faz promesas e que nos trai
Que nos afasta mas nos atrai
Que dá voltas ao mundo
Que voa alto e mergulha profundo
Assim como todo grande amor o faz

Eu olho céu o e respiro fundo
E fico a sonhar
Helena e o mar
O mar, o mar, o mar

Olhamos pro tempo
Na certeza de se reencontrar
Helena e o mar

O mar, o mar, o mar

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Cinzas

Sinto a vida passando
Sem pesar...
A matéria amontoada a partir do carbono
Escorrendo por entre a alma de meus dedos
O tempo-espaço-gravidade
Desocupando seu lugar físico

Na eterna dança da luz e sua ausência
O pensamento afoito aprendendo a ter paciência
A idade aprendendo a lidar com a saudade
A inocência dando lugar a experiencia
A ignorância se esvaindo com a ciência
A teimosia aceitando a espiritualidade
E a paixão aprendendo a renovar-se no amor
De flor em flor, tudo passa
Tudo fica
Tudo morre e se revira em vida

O mais difícil talvez 
Seja aceitar que um dia
Quando meu movimento cessar
Minha voz se calar
E o meu sorriso já não tiver semblante,
Os sonhos,
E toda e qualquer crença e esperanças,
Quando eu os deixar aqui,
Quem cuidará deles?
Mas, isso já não importaria, não é?
Afinal,
A vida seria
Toda ela
Esse ensinamento?
Esse eterno sentimento
De despertencimento?


domingo, 12 de novembro de 2017

Leve

Levo a inspiração
O ritmo, as batidas do teu coração
Deixo um pouco da minha voz em teu corpo
Por onde passeei quando beijei teu rosto
O som na língua nas mãos
O bailado fino da tua dança
O encantamento de quando te toquei as pernas
Como se fossem meu violão

Deixo um tantinho assim dos meus desejos
Como se fossem desvendados segredos
Dedilhados do pescoço até o tendões
No desenho de tuas costas
O antigo mapa e a rosa dos ventos
Tatuados em tuas costas e braços

Onde descrevi essa canção

Por fim, a parceria, a troca
Deixei muito contigo
Deixaste tanto comigo
E decifrando meus próprios versos eu sigo
Em todo impossível amor que de tão antigo
Nos círculos de vida morte e ressurreição
Sempre foi tão honesto, tão íntimo, tão amigo

Transmutamos como lagartas em borboletas
E as vidas seguem sua evolução
Não tivemos nada e tivemos tudo
Música, dança teatro e poesia
Como um reisado

Que vara a noite e rompe o dia

Tudo se funde se confunde
Ancestralidade
-Ritual-
Paixão

domingo, 22 de outubro de 2017

Livro de Rostos

Da última vez que nos vimos,
Que nos encontramos,
Foi tão bom.
Nos tocamos
Cantamos e dançamos,
Celebramos o amor
Colorindo a realidade
Espalhando poesia
Pela cidade

Desde então
Vamos tentando
Mas ficamos perdidos
Nessa virtualidade vã
Em conversas entrecortadas
Entre o Whatsapp
Nudes no Snapchat
E histórias no Instagram

Mas não desistamos
Faça chuva ou faça sol
Mesmo que a internet
Fique lenta ou caia
Acordados ou sonhando
Nossos desejos irão se encontrar
E muito além desse livro de rostos
Vamos estar

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Corpo

É só um corpo nu...
Poderia até ter, mas,
Não precisa legenda
Conceito ou preconceito
Se é belo, feio, bem ou mal feito,
Se vc reflete, se é “cultura”, arte ou não
Arte esta já seria, pela essência da questão.
Estar despido de ódio
É muito mais simples e cristão
Do que agir com ignorância,
Pecado seria a falta de amor
Vestir-se com as ilusórias roupas
Da razão


sábado, 7 de outubro de 2017

Não

Não
Mesmo que seja uma boa lembrança
Não fique pensando nele
Sintonize outras coisas
Outras bocas
Outros beijos
Em outras formas de amor
Outros desejos
A paixão nos deixa
Assim
Meio desleixado da gente
Eu sei que isso não é bom
E sei que é melhor ainda
Pra recomeçar
Pense agora em
Tudo o que podes fazer
Na liberdade em que estás
A felicidade de cantar uma canção
Sem a obrigação de cantar

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

De sol a Sol

O amor está
Em todo lugar
Onde a gente
Quiser que ele esteja
Inclusive onde
Alguém "não quiser"
Que ele esteja
Como a noite e o dia
Que tudo devora
É só olhar pra dentro
É só olhar pra fora
Ele circula pelo céu
Na poesia da existência
É meu, é seu
É mel, é fel
Amorciência
Feito a estrela que brilha
Mesmo que ninguém a veja
Ela não gira em torno de nós
Nós quem circundamos
No contorno de sua beleza
Lutando contra a gravidade
O frio e a maldade
O tempo e sua verocidade
E a solidão das incertezas

domingo, 3 de setembro de 2017

Meu Vago Vagão

Mesmo quando parado

Sigo andando

Mesmo sozinho 

Estou com você cantando


Meus pés descalços

Falam da estrada

Meus pés calçados

De onde vim


O retrato diz onde estou

O olhar diz pr'onde vou

E esse verso acanhado

Fala de mim


#geraldojunior #espeditoseleiro #cariri #cangacourbano #cangaço #terreiradacearense


quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Prece Cósmica

O que leva uma pessoa a xingar alguém na rua por se vestir um pouco fora de um padrão, usando uma saia? Uma saia discreta, longa, e eu nem estou maquiado, de batom, rímel, minha barba até está grande, cabelo de coque... Digo isso porque até entendo, as pessoas estranhando quando estou um tanto mais arrumado.
Pra poder ter a liberdade de me vestir como quero sem absorver esse ódio, foi muito chão. Medito, preparo a mente e saio por aí tranquilo, na sintonia da paz e do amor. Só na adolescência eu andava fazendo as coisas escondido, por medo ou preocupação desnecessária, ou pra evitar desgastes com a família.
É triste constatar esse novo obscurantismo o qual vivemos. A mulher era até jovem, aparentava ter tido algum estudo e oportunidades. Não quero nem devo julgar, pois também seria preconceito, mas apenas imagino que ela não deve ter tido referências que lhe mostrassem que não há nada de errado nisso, e, que temos que respeitar qualquer um ou uma. Impressionantemente, enquanto escrevia essa postagem, um bêbado reclamava na parada de ônibus: E daí se eu sou nordestino?! Querem me expulsar, mas, eu moro aqui! Essa cidade é minha também. E daí se eu sou pernambucano, paraibano, baiano, cearense?!
"Tudo isso acontecendo eu ali na praça alimentando os pombos na minha cabeça". Durante o tempo em que pensava e ia escrevendo, no meu ouvido, o modo aleatório tocou Tom Zé - Todos os Olhos, The Doors - Moonlight Drive, Luiz Gonzaga e Gonzaguinha - Pense Neu, e (acreditem se quiserem) Secos e Molhados - "Prece Cósmica", poema de Cassiano Ricardo musicado por João Ricardo para o primeiro álbum de 1973 do Secos e Molhados.
Que os quatro
Como num teatro
Conservem a mão
Sem nenhum
Gesto
Que o vinho quente
Do coração
Lhes suba à cabeça
Espêssa
Que do bolso de
Cada um dos
Quatro
Como num teatro
Voem pombas
Pombas brancas
E amanheça
Só a Física Orgânica a Química Quântica e a Biologia Espiritual explicam

sábado, 19 de agosto de 2017

Paradigma

A estrada liberta

Nos ensina a conhecer

A conviver e conversar, cantar 

Com as pedras, flores e espinhos

Mas, não deixo de pensar, 

Que depois de tantos caminhos

Hoje eu realmente não sei

Se tenho medo

Ou se gosto de estar

Sozinho


domingo, 13 de agosto de 2017

Voa

Voa!
Que o tempo urge
E já não precisas mais estar aqui
Você já nos iluminou, nos ensinou
Nada mais justo que seguir
Nós que aqui ficamos,
Espero que continuemos
Livres a sonhar
Como tu nos ensinou
Voa segue os bois voadores
De galáxias distantes
Espalha purpurina
Nesse céu gigante
Pedimos licença,
Vamos chorar
Mas não só de tristeza
É tua lembrança a nos emocionar
E se não for inspiração e alegria,
Deixa, em amor e esperança
Essas lágrimas
Hão de se transformar
As cornetas no paraíso
Hoje vão tocar
Felizes por você chegar
Voa
Segue o menino 
A brincar

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Mantra

Queria que tudo

Fosse simples assim

Mas é. Não é? 

Mesmo com a sensação

Do tempo passado

Desacelerando dentro de mim

Lá fora, na rima livre do verso

Onde se recrio meu universo

Não vejo a hora, o ano luz

De partir e retornar

A ser

O ser

Não ser

Eis a questão

Renascer

Om

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Não Lugar

Sou um cearense 
Assistindo pelo celular
Um documentário de Ruanda
No pátio de Higienópolis
Tomando um café expresso
No intervalo de um filme americano

Talvez aja um futuro nessa história
Onde eu pare e veja a loucura desse(s) dia(s)
Onde tantos me estranham por não serem diferentes
Imaginem o que se passa em minha cabeça
Foi assim que eu me senti imaginando
O que se passa na cabeça deles

Mais que medo, era ódio
Me viam como ignorante
Comendo um doce cubano
Como se eu fosse gente
Que deveria estar tomando refrigerante

Até hoje eu canto e não entendo
Como tudo me veio à mente naquele instante
Enquanto a atendente chinesa ria da negra
Que passeava livremente
Como se seu cabelo e sorriso fossem
A porta escancarada pra um mundo novo
Onde o amor seria o elo perdido e encontrado,
Uma oração de uma crença que libertava
Não escravizando aqueles que buscam esperança 

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Avenida Padre Cícero

Porque?
Não sei.

Você sempre diz
Que tenho algo bom pra falar
Que minhas palavras são bonitas
Poesias que te refazem sonhar

Bem, diariamente
Nesse caminho que seguimos
Traficando amor entre essas cidades
Derrubando fronteiras
Talvez por amizade
Necessidade ou carinho
Eu tenha pensado alto demais
Me fazendo parecer "sabido"

Eu apenas olho pra ti
Vejo você na paisagem
Compondo a cena na estrada
E vem a inspiração.
Isso deve mexer
Com minha mente
Com minha alma
Meu coração
Sim

Atento à direção
E na dinâmica desse movimento
Cruzando o vale, eu canto.
Canto pra ti!
Canto pra mim
Pra quem ouvir
Sim!
Pra quem quiser sentir
Isso te faz sorrir
E me alimenta a paixão

E sigo o caminho
Que a vida nos oferece
E aprendi que entre nascer e morrer
Podemos escolher
Cantar ou não
Amar ou não
Sonhar ou não
Sim.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Alto de Santa II

Do alto

Vejo o horizonte de eventos

E esse futuro parece possível

Sim, parece ser real

Sonhar não. Viver não faz mal!

Esse utópico mundo existe

E acreditem não há nada igual

O feminino se liberta

E se antes já não havia

Agora mesmo é que não há

Nada de anormal




Alto de Santa

Veja, ouça
Sinta
Essa paz.
A paisagem que buscamos pra o infinito
Em que descansam os olhos
O silêncio que encanta os ouvidos
A canção que ensina os sentidos
A cura pra todas as nossas dores
Nos relembrando amores
Que não se foram
Que não se vão
(Amores verdadeiros vem e ficam)
Pela evolução,
Em amizade 
Nos transformam
Nos ensinam
A entender
A conviver
Com o não. 

domingo, 19 de março de 2017

Amanhecer

Pessoas não são pra sempre
Paixões não são pra nunca
A eternidade é poder demais
Pra não se aprender

Quantas vezes preciso morrer
Renascer
Pra conseguir perdoar?
Se libertar

Saber. Escolher certo ou errado,
Sim. Não. Podes até julgar,
Mas te preparas,
Julgando ou não, serás julgado

Pessoas não são pra nunca
Paixões podem não ser pra sempre
Mas o fim é pra se aprender
Recomeçar