As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Rock'n roll

Quebrem as amarras
Gritem!
Chorem!
Liberem a emoções
As tenções
Libertem-se
Dos gêneros
Dos preconceitos

O melhor discurso até agora 
Ainda é o "paz e amor"
Sãos e salvos, loucos ou não
Façam a revolução
Sonhem
Protestem
Toquem, dancem, cantem
Interpretem com toda a alma
Façam música com o coração
Como quando éramos adolescentes
Sem se preocupar
Com o que vão falar
Sigam seus instintos
Mas não deixem dominar-se
Assim logo eles evoluirão
Para a intuição

Mude o mundo
Antes que o mundo mude você
Mude o mundo
E lembre-se disso quando envelhecer

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Descanso

Os sonhos dormem
Acordam
Amanhecem conosco

Engatinham
Caminham
E até rastejam
Insones na madrugada

Vivenciam a solidão
Na liberdade e temor da estrada
Entresaudades e reencontros
O caminho me cansa o corpo
As voltas me deixam tonto
Por isso danço
A voz quase falha
De tanto que falo
Por isso canto
E me recompondo penso
Tudo o que sinto
E mesmo o que não digo
Vai além do físico
Reverbera no espaço
Desafia o tempo
Porque minha alma
É eterna enquanto música
Ressoa
Amor
Esperança
A tristeza se muito é uma pausa
O silêncio
Um leve descanso

sábado, 21 de novembro de 2015

À espera

Aqui à espera
Treino a paciência
Em uma quase infinita
Insistência
Ou anseio pela felicidade
Observo o tempo
Sinto o movimento das pessoas
O sentimento vivo da cidade
O canto invisível das árvores
O tímido verde que transpira
Pra o nosso desafogo
À sombra, projeções de outras vindas
Me fazem sonhar
Me vem um vislumbro
Remonto a lembrança
O calor e a saudade
Testam minha inabalável fé
E essa breve descrença
Me fortalece o espírito
Como quem espera pelo coletivo
Como quem espera por dias melhores
Por vidas melhores

Ao subir a montanha
O homem por pouco não percebe
O movimento
Os seres vivos que movem-se
Girando na terra, ao redor do sol
A uma velocidade descomunal
Como todos os outros corpos
Celestes, num caminho de luz
No abraço gravitacional
Da nossa estrela mais próxima

Durante bilhões anos
Em quase infinita espera
Minha tolerância e paciência
Agora parecem fazer sentido

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Alimento

Contrariando os céticos
Me alimentarei de amor
Sim. Esse será meu alimento.
Matarei a tristeza
A fome de desejo
A sede de carinho
Devorando a saudade
Acompanhada da solidão
Bebendo do vinho da amizade
Pelo gargalo! Sem temer embriagar-me
Como um tolo que foge dos sonhos reais
Depois de servida a poesia
De sentido o gosto da paixão
Podemos pensar melhor,
Mais claramente,
Sobre as necessidades do corpo
Agora não,
Agora minha alma está satisfeita
E paira na leveza da luz mineral
Puro, meu hálito e voz, suor e lágrimas
Expiram, vibram,
Transpiram
O inconfundível perfume
De tua fotossíntese

Alguém me falou que havia terminado uma relação. Disse que dentro do possível estava tudo bem, mas, que sentia algo que não sabia o que era, que não sabia se ainda era alguma forma de amor ou a inevitável dor de um fim. Pra começar, eu acredito que por fim, tudo é um processo, ai pensei assim:

- FIM
Sinto falta de algo
Que não lembro se é lembrança
Mas esqueço de esquecer.
Mal-bem querer? Fal'sesperaça?
O que o tempo tira
O tempo dá
O vento traz, o vento leva
Marés, luas, sentimentos...
É tudo natureza
É como tecer uma canção de amor
Pra alguém que nos faz sofrer
E que nos deu tanto prazer
Mas que também nos faz crescer
Na inevitável dor

- INÍCIO
A saudade é insistente
Fica na boca da gente
Como quem não come nada
E fica co’a fome entre os dentes

A saudade é estranha
Se esconde nas entranhas
Finge ser tranquilidade
Ao planejar mil artimanhas

A saudade é profética
Dorme e sonha em sua poética
E mesmo quando não tem rima
Segue em sua prosa estética

A saudade é desordeira
Quebra tudo, faz asneira
Grita pela madrugada
Que o amor é uma besteira

- MEIO
A saudade é afiada
Feito gente desamada
E se junta a solidão,
Essa velha desalmada
A sombra, o corpo, assombra a alma
Mesa, roupa, arma branca
Punhal, Faca, beijo-espada
Unhas, Línguas, dentes, mágoas
Sexto sentido, olhos e ouvidos,
Espaço-tempo, ciclos de lágrimas

domingo, 25 de outubro de 2015

Estrada

A estrada é um longo caminho curto
De uma simplicidade complexa demais pra quem não sente
Tão solitária e povoada como as lembranças
Cheias de coisas boas e ruins 
Entrecorta sons e silêncios
Vara sertões e metrópoles
Serras e mares
Desertos e matas
A estrada é cheia de tudo. Até de vazios.
Cheia de pedras, de espinhos
Mas também é enfeitada de flores
Pelo caminho
A estrada é um longo caminho curto
Onde trafego meus sentidos
E me deparo com meus instintos
E por mais que pareça não ter fim
Depois de atravessar
Tantos rios, pontes, túneis
Veredas e encruzilhadas
Sei que não conheço tanto
Que não conheço nada
Talvez apenas um pouco mais de mim
Que insiste em seguir dançando 
Compondo espaços tempos e gravidades, vidas
Por entre retas e curvas
E infinitos fins de linhas
Onde recomeçam as novas jornadas
Tão sedutora, tão forte e acolhedora
Mais parece uma entidade feminina
Uma deusa que nos acolhe
E que as vezes até parece nos maltratar
Mas nos faz crescer.
Sem saber se há início ou fim
O que existe mesmo é o meio
O processo enfim 
O desejo
A necessidade de seguir
De migrar
Ir e vir 
A esquerda a direta
Pra cima ou pra baixo
Tudo depende
De onde vens e pra onde vais
Às vezes eu nem me lembro
E sigo cantando
E tudo é saudade e reencontro 
Nessa vida
Na estrada

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Sóbrio

A vontade de embriagar-se
E esquecer os problemas do mundo
É menor que a necessidade
De estar sóbrio
E viver os amores a fundo

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

#OsOlhos

Na falta da gravidade
Ou na fluidez da luz que se ia
Sobre o corpo deitado
Que reluzia
Uma gravidez imprevista
Às ideias
Delineando
Melodias
Contornando e entrecortando
#os olhos
Estáticos
A fotografia de si
De cima
No meio do dia
Como Caetano cantando Sampa
Atraindo Narciso à um contrariado samba:
- O que não é espelho e nem belo pode ainda ser poesia
Dependeria apenas do olhar?
Do desleixo da imaginação?!
Porque até então,
Se houver alguma voz
Estaria ela guardada
Atrás das pálpebras
Talvez dançando a parte
Onde o devaneio resista
Ao barulhento silêncio da tarde
De minha odisséia Paulista

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Dona dos Ventos

Lá vem setembro
Em sua glória
A dona dos ventos
Já bem sabe os meus segredos
Todas as cores viram encantos
Prenunciando o perfume das manhãs

Lá vem setembro
Doce mistério
A minha amada
Corresponde aos meus desejos
E me dá flores quando lhe canto
E assim trocamos sorrisos pela estação

Vamos seguindo caminhos
Nunca estamos sozinhos
Entre a saudade e o reencontro
Entre as vidas em confronto
Que veem em vão
Gozamos todo amor
Dançando quando há dor
No coração

Lá vem setembro
Em sua glória
A nossa história
Renasce na primavera

sábado, 19 de setembro de 2015

Vamos Dançar

Não fique triste assim
Porque se foi o verão
O frio que está por vir
Não chega ao teu coração

Pois tens o meu aconchego
Todo o calor dos meus braços
E entre beijos e abraços
Virão outras canções

Não tarda o sertão fulora
Virá o canto dos pássaros
E brincarão os reisados
Não mais seremos tão austeros
Teremos muitas histórias
Lembrando nosso passado
Então seremos memória
Como nossos antepassados

Agora vamos dançar
Pois só amor transforma
Desde as leves desilusões
Ao ódio das tristes almas
Das agitadas guerras de outrora
Às atuais depressões mais calmas

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Intercâmbio

Leve
Levo a inspiração
O ritmo, as batidas do teu coração
Deixo um pouco da minha voz em teu corpo
Que te passei quando beijei teu rosto
O som na língua nas mãos
Trago o bailado fino de tua dança
E o encantamento de quando te toquei as pernas
Como se fossem meu violão
Deixo um tantinho assim dos meus desejos
Como se fossem desvendados segredos
Dedilhados do pescoço até o tendões 
O desenho de tuas costas
O antigo mapa e rosa dos ventos
Onde escrevi essa canção
Por fim a dança a troca
Deixei muito contigo
Deixaste tanto comigo 
E decifrando versos eu sigo
Em todo impossível amor que de tão antigo
Em seus círculos, vida morte e ressurreição 
E tão honesto, tão íntimo, tão amigo
Transmuta-se como a lagarta em borboleta
E segue sua evolução
Não tivemos nada e tivemos tudo
Música dança teatro e poesia
Tudo se funde se confunde
No ensaio das vidas
Respiro
Suspiro
Me inspiro
No ritual da paixão

sábado, 29 de agosto de 2015

Como Não se Diz

Meu espírito se balança 
Fita o céu
E num dervixe
Em centrífuga dança
Se lança no vácuo
Despido do corpo
Numa forma ancestral 
Essencial
Se divide em quatro
Direções-estações 
Em sete forças
Em luz e sombra
Em todas as cores
Em doze tons 
No espaço tempo 
E eterno sonho
Retorno a mim mesmo 
Numa sensação de poesia
E penso nisso
Mas antes de tudo
Sinto um pouco o universo
De onde vim e parti
Onde chegarei com essa conversa?
Nesse monólogo-diálogo
Me falta a palavra
Como explicar 
O que não tem pronúncia
Nem estável padrão vibratório?!
No mínimo,
O máximo que posso
É bem-dizer
Como se diz,
O que não se diz
Se canta

Cadeia Elementar

O que nos tornaria heróis?
Ou vilões?
O que faz de nós
Bons e maus
Jogadores
Campeões
Perdedores?
Predadores
Caça ou caçadores?
Mártires sonhadores
Ou carrascos ditadores
Símbolos de fé
Ou descrença
O que nos pode salvar
Ou condenar?!
Qual a diferença
A relação
Entre amar
Ou odiar?
Cantar vitória
Ou silenciar
A derrota
A paz
A guerra?
Os conflitos de dessa terra?
O livre arbítrio que nos prende?
O pensar?!
Ao pensar
Logo existo
E insisto
Sonhar
Acho que estou
Tendo a certeza que sou
Um desconfiado escritor
Acidentalmente tecendo 
Sobre o que poderia estar nos fazendo
Mudar de lugar na cadeia elementar

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Bel Desejos

Sinta-se amada
Mesmo em meus desavisos
Mesmo nas canções silenciosas
Ou no som de minha ausência 
Sinta-se amada
Mesmo em minha poesia acanhada
Em sete chaves guardada
Em meus caderninhos adolescentes
Sinta-se amada
Mesmo quando meu amor fosse inconsequente
E em outras bocas beijadas
A tua lembrança invadir em línguas e dentes
A alheia saliva como terceira pessoa sagrada
De uma santíssima trindade adorada
De minha fé apaixonada, inabalada
Por minha humilde humana
Saudade carente

Mapa Celeste

Tu sabes meu signo
Mas ainda há
Todos os mistérios
Do meu ascendente

A paixão

E a paixão
Feito uma égua louca
Numa dança suicida
Ou um elefante alado
De asa partida
Salta de um abismo
Sem se preocupar
Ou acreditar
Que cairá na realidade
Se despedaçando
Ou sofrendo um surto de realidade
Achando que o romantismo
É um sonho tolo
Dos que não sabem amar

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Movimento Apaixonado

Quando o corpo dança,
Movimenta-se apaixonado,
Todos em suas voltas
Entendem o bailado
Os ventos, os raios do sol,
O vestido alvoroçado, o cabelo esvoaçado,
Até os olhares mais repressores
Se entregam a poesia do momento
E a arte se faz do experimento
Desafiando à gravidade
O espaço-tempo
O deslocamento-
saudade

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Paralelos Infinitos

Na confusão dos sentidos
Os sentimentos se confundem
Os pensamentos se iludem
O coração bate desincronizado com o corpo
O espírito irradia pulsos ao infinito

E dos desejos da última noite,
O que terá sido? O que ficou desestabelecido?
Desestabilizado? Quais tonalidades e harmonias
Prevaleceram ao acordar nos suados acordes?
Por onde se expandem aquelas melodias
Cantadas desde o último beijo?
Um poeta hoje aqui escreve
Na lembrança do teu sobeijo
Aquele agridoce gosto
Na língua que te percorreu o corpo
E te floriu sorrisos ao cruzar o pescoço
Os sabores continuam aqui
E agora como jovens apaixonados
Compomos e deixamos esse recado
Pra os enamorados que virão depois de nós

Mesmo em nossas maiores solidões
Nunca mais estaremos a sós
As lembranças
Nos acompanharão
Pelas pequenas eternidades
Selando amizades
Permeado amores
Que se conjuguem
Injulgáveis

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Composição

Chame
Pode ser um grito
Pode ser um silêncio
Mas que seja canto
Sopre-me um amor
Uma saudade que seja
Sussurre-me ao pé do ouvido
Um sorriso flauteado
Um desejo harmonizado
Compondo carinhos 
Em todos os sentidos

Na Sua - Luz da Tarde

De repente penso
E em alguns milesegundos
Na velocidade em que um romântico neurônio
Leva pra seguir do peito, passando pela mente
E chegar até o céu da boca,
Sinto a palavra, preparo a voz, e a entôo
Trazendo em si, ela em mim
Todo o sentimento
Todo o apuro dos anos

Pronuncio o seu nome
Com a força e delicadeza necessárias
Em música, canto essa melodia, e faço uma pausa
Deixo reverberar no vento a poesia do que lhe sinto

Assim como na literatura
Como na música
Como no teatro
Faço uma cena
Cinema
O corpo dança no movimento do desejo
E toda a minha humilde arte fica em função
Da paixão
Lhe agradeço
Não apenas pelos beijos, pelos fluidos
Pela energia, pelas filhas e filhos
Pelos sorrisos e abraços
Pelos aprendizados
Pela inspiração

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Balé

Não se carece palavras
Quando o corpo dança
O diálogo vai além das línguas
E a voz se liberta da garganta

Pra que falar
Se o corpo canta?!
Nem se precisa dizer
O que nos encanta

O corpo gira
As pernas baiam, sambam
As mãos se esvoaçam no tempo
E o peito pulsa vida e sorte
Numa ritmia quântica

O amor fica indizível
Num balé-poesia tântrica
E num transe de pequenos silêncios
Sinto e sentes quem te ama
Quando os poros se dilatam
E tua pela untada derrama
Essa ofegante poesia dinâmica
Que te percorre o suor do corpo
Até o nosso último beijo adormecido
A manhã, em nosso primeiro sonho
Vindouro

terça-feira, 4 de agosto de 2015

O que eu Faço?

O que eu faço? 

Faço e desfaço música sertaneja
Superior incompleta
Popular erudita?
Universitária, analfabeta, mobral 
Empírica talvez, real, ralé, virtual
Elétrica, eletrônica, orgânica
Biosustentável, permacultural 
Nem antiga nem moderna
Apenas música contemporânea do vento 
De ritmo atemporal e lugar além do espaço
E a gravidade feito melodia
Não me prende ao chão
A minha canção
Desafia as leis da harmofísica
Pinota, avôa, rodopia
Ousa ser cosmopolita
Minha matuta urbana poesia
E o meus alquebrados versos
Atrevidos sintetizados distorcidos
São minha coloridas asas
Anjo-caboclo terreiro
Carrego minha anacruz de estrada
Daqui pra baixo só com amor
Daqui pra cima
Tudo é via-láctea

quinta-feira, 16 de julho de 2015

A Caminho

Eu paro e ando por ai
Pela estrada vou cantando
Encontro coisas boas e ruins
Tento ajudar o próximo
E também o distante
Desejo que minha canção
Abrace os diferentes
Não apenas os semelhantes

Não canto pra uma mulher
E nem pra um homem
Minha poesia se faz generosa
Sem gêneros, aos que a consomem
De tão velha, não tem idade,
De tão colorida, reluz incolor

Eu muitas vezes sinto saudade
E por vezes sinto
Um tantinho assim de dor

Mas então surgem os reencontros
E vão crescendo e nascendo amizades
E vêem paixões e alegrias, vou dançando
Brincando, cantando o que for
Mas sempre, com respeito e seriedade
Como quem cuida de uma flor

Nessa pisada eu vou seguindo
É o que a deusa me ensinou
Vida cigana girando mundo
Sigo colhendo e semeando amor

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Instrumento da Salvação

A maturidade é uma poesia
Que a vida deescreve
Em seu decorrer

Em prosa
O tempo dá
O tempo tira

Em versos
O espaço
Fica cheio e se esvazia
E num pulsar quântico
É prenho preenchido
Com sabedoria

E feito repente
A idade encara o mote:
A cara da morte

Repete-se em loops a canção
E a vida retorna-se:
- Instrumento de salvação
Partes de um todo, de um tudo
Inteiramos-nos ao nada, do nada
Juntam-se os cacos da consciência
Quebrados pela insistência
Da negação da física distância
Da espiritual lembrança
Da desnecessária explicação
Da existência

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Fluxo

Uma sombra movia-se contraria ao sol
Enquanto deslocava-se o tempo no espaço
A gravidade, atraia os corpos ao eixo do movimento inicial
Uma dança dos astros que tecia influências sobre os corpos terrestres
Não apenas pela água de suas composições
Ou pelos elementos contidos em sua densa matéria
Nem dos fragmentos de estrelas em suas canções-memórias.
Havia poesia nas engrenagens do cosmos
E nas conexões entre as dimensões
Nossas mentes captavam em fractais
Os sentimentos que vagavam no céu
Pelos signos e aglomerados de estrelas
E espíritos errantes cruzando vidas e existências
Sob a consciência universal até a reencarnação
E a dependência momentânea do carbono...
De alguma forma, eu sabia o que dizer
Quando ela me perguntava as horas
Olhava pra cima e reparava
Na fase da lua, o solsticio,
Nas cores da vegetação predominante naquela estação
Tudo tinha um elo bastante claro, não era raro nem de complexo entendimento
Nunca existiram fronteiras no firmamento
Estávamos todos aqui
Ocupando um mesmo lugar
Bastava sentar no batente
Numa tarde do sertão e sintonizar
Como um mote de repente, na cantoria infinda das vidas
Toda história possível estava representada
No amor que tinhamos conosco
Não apenas nos versos óbvios
De uma individualidade romantica apaixonada
Mas nos sentimentos que eu só poderia entender
Quando na verdade simplesmente me permiti
Sentir
Era o movimento
Que vinha e partia.
Não havia isso de morrer, viver
Era apenas o processo que importava
Encontrar-se
E seguir

sábado, 4 de julho de 2015

Distância

Em algum lugar entre o polo norte real e o magnético
Se encontrou a minha perdida canção
Nos sonhos que giram mundo
À necessidade de dançar,
Que migra seguindo o sol nascente
E o meu desejo nômade,
No desencontro da tristeza com a poesia
A incerteza, esta amiga atrevida que me convida a desafiar a maldade do mundo...

Em algum lugar nesse tempo e espaço onírico, está você, e sua alegria e sorriso iluminado
Sinto-me imensamente feliz
E agradecido, mesmo na distância,
Porque sei que o seu amor é maior que qualquer físico deslocamento
E tua bondade está sempre a semear felicidades
Como as flores que nascem nos teus passos
E o perfume que deixas onde passas
Com tua fértil e benfazeja
Pueril esperança

domingo, 28 de junho de 2015

Crepúsculo

Ela se emociona no colo da terra
Nos abraços onde estou.
E segue com o pôr do sol
Desterrando os olhos ao horizonte.

Lá estará, num vislumbre o seu caminho?

A luz divina em teus olhos refletida,
Mostrará o destino como um canto do arrebol
O sol, a lua, se pondo e renascendo num bailado eterno
A cada dia
Vida
Dádiva

Estenda suas mãos ao tempo
E colha os frutos da esperança
Que nascem a cada oração
Alimentando os sonhos, crianças
Sejamos como as lembranças
Saudades e reencontros
Equilibrando alma, mente e coração

sábado, 20 de junho de 2015

Profecia Universal

Quando nos encontraremos pela estrada?
Em qual estação seremos sol e chuva?
Quando o céu for propício,
E os astros estiverem alinhados
Aos olhos e corações do hemisfério norte e sul
Seremos eclipse 
O movimento de rotação e translação
Será a dança sagrada das novas gerações
O mundo partilhará do amor divino
com nas profecias e contos da antiguidade
Então seremos uma singularidade
Nem homem, nem mulher
Cada uma será tudo o que quiser
E o gênero estará além dos antigos humanos
A maldade e a intolerância pertencerão ao passado
Assim como o presente será das crianças
Num futuro já realizado

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Movimento III

Aqui a lua cheia de saudade vai minguando
O céu, do hemisfério sul ao norte
Parece um tanto quanto calmo
Até que as estrelas afoitas riscam os céus
Alvoraçados, os desejos dos amantes
As palavras dos poetas
As marés em seus bailados eternos
- O corpo das mulheres que dançam -
Sentem a influência dos astros
E numa energia sutil que rodopia
Em rotação e translação infinita
Se recria o amor que percorre todo o universo
Assim todos se sentem a conexão
E no fundo, vivem a mesma paixão inevitável
A deusa canta sua oração d'aurora
E o velho-novo ciclo se refaz
A vida-morte segue em suas coexistências
Duvidas e fés renovadas
Sem descriminar gêneros
Luz e escuridão
Silêncio e canção
Partida e chegada

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Recomeço

Foi tão bonito, tão intenso
Tão verdadeiro propenso
Que feito estrela surgiu e se findou
Como uma joia de brilho raro
Mas que delicada se quebrou
E ficamos catando as notas
Cantando o caminho, as rotas
Catando os cacos do carinho que ficou

Juntamos as partes quando partimos
Transformamos em sonho o que sobrou
Em poesia, sentida e praticada, amalgamada
Porque tudo deu tão certo que recomeçou
Era o fim, esse outro inicio de estrada.
E assim ficamos e seguimos
Com outros sabores, vivos
Nas dores e alegrias
Do que vivemos
E crescemos
Em todo
O nosso
Reciclado
Transmutado
Reconfigurado
Amor

Tarefas do Dia:

Fazer do som, música
Do movimento, dança
Da vida, poesia
Romance, conto, espetáculo
Do amor um caminho pra tudo isso
* E tudo mais do que acontecer naturalmente
Sem intervenção humana,
Que seja visto com os olhos
Apaixonados de uma criança
Que brinca e vê beleza
Em tudo                       ...
E qualquer aparente nada

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Fogueira

A matéria, entregue ao fogo
Transmutava-se
O plasma consumia
O âmago orgânico
Do combustível corpo
Emprestando calor
E energia luminosa
Aos que brincavam ao seu redor
No alto, o céu mostrava-se
Despido dos tempos
As palmas
Os tambores
O coro
Em transe
O calor da fogueira
O orvalho da madrugada
Assim adentramos à noite
Conectados à ancestralidade
Em canto entoado
E poesia bailada
Na madrugada o ritual
O terreiro era o canal
E a festa
Abençoada

sábado, 2 de maio de 2015

Escrevi no Feminino_

Ele anda procurando um amor
Corre o mundo,
Buscando o universo dentro de si
Em busca de paz
E perfeição

Nas voltas
Eu aqui ao seu lado
Sempre fui sua amiga,
Tudo o que precisaria
Pra não me apaixonar
Mas o que?!
Agora já era tarde

O vinho
E canção da noite
Brindaram nossa amizade
Embalando
Nossa despreocupação

Ofegantes cantamos
Varamos a noite
Essa longa estrada,
Percorremos paixões
Pela madrugada

Quando acordei, ainda sonhava
Ele ao meu lado estava
Tão lindo, numa poesia
De luz e cobertor
Ai como é bom!
Dormir
Sonhar
E acordar
Com este, aquele,
Qualquer um que seja,
Um verdadeiro amor

sábado, 18 de abril de 2015

Diálogos

Quando dei por mim
Estava à mesa
Em algum lugar
Entre Caetano Veloso e Russo Passapusso
As conversas, os assuntos atravessados
Entrecortados, aos sussurros e gritados
Esgoelados
A marcha engasga do ônibus
O bondinho não passado
A aniversariante sorridente embriagada
Os amigos cantando mais que o cantor
O violão tocando tanto quanto o tocador
Toda aquela algazarra era uma canção
Todo o dito barulho era uma harmonia
E eu sabia que até amanhecer o dia
O silêncio seria impróprio
Para os desejos mudos que atravessavam a mesa
Falavam os nossos olhos
Uma língua qualquer desconhecida
Por todos
Só entediamos e dialogávamos amor
Eu e ela, sem palavras
Assim foi a nossa primeira conversa

Orgulho

Está tudo certo...
Foi tudo resolvido...
Mas, as vezes caminhando
Fecho os olhos
E vou além do que poderia estar sonhando
Penso que por um momento
Ao abrir os braços
E esticá-los em minha frente
Agarrarei o espaço
E tomando-o pra mim, abraçado a gravidade
Viajarei no vento
E voltarei até o segundo
Em que demos um tempo
Por vaidade
orgulho
Imaturidade...
Não
Por necessidade.


Rota

A minha solidão
Se faz e se desfaz
Na tua solidão

Enquanto o silêncio dorme
Despertamos ao pressentir 
Um amanhã disforme
Formando-se e levantando-se
Sem saber o porque
Da estrela incandescente 
Nem tão perto e distante 
Que nos possibilita a vida.
Tão perto e distante
Da quinta dimensão.
Se todo esse amor é apenas
Uma invenção
Desisto também de escrever 
Qualquer algo mais 
Que esteja além de minha razão
Já não me basta o porque
Da não canção
Me concentro e revejo a rota
De onde vim - viemos
Onde estou - estamos
Pra onde vou - vamos
Sigamos caminho
De três pontos no universo
Outras vidas
Outras formas
Paralelas
Num feixe de luz
Todas as cores
Vivas
Vidas

terça-feira, 7 de abril de 2015

Teoria da Inspiração


Poderíamos evitar os termos bélicos...
As atitudes rudes, agressivas
E nesse momento de transição
Entre o velho e o novo momento
Apenas defendermos-nos
E impor, expor o olhar, a alma
Jogar fora o peso do escudo e da espada
O não ataque é a melhor defesa.
Não ignorar, encarar os pensamentos maus
Assumir os sentimentos ruins
Para transpor, que assim seja, nossa humanidade
Estas forças existem e se manifestam em nós
Fazem parte de nossa composição e energia
Matéria organica inorgânica,
Priorizemos o amor
Essa forma de infinito
Inexplicável e simples
Como o universo
Paralelo, côncavo ou convexo
Todos são românticos versos
Cantados pelos menestréis errantes
Que montam estrelas cintilantes
A elevar e mergulhar na escuridão
Faróis de fé em esperança
A oralidade, a singularidade
Das mensagens orações
Em forma de canções
E poesias quânticas

quarta-feira, 25 de março de 2015

Interdimensional

Num suave momento de lucidez
Senti ao redor
A sutileza de uma impossível realidade
Presente nas pessoas em canto e dança
Como num círculo sagrado de magia negra-branca

Foi num devaneio às avessas
Que percebi minha paz exterior
Onde dentro eu já me sentia feliz
Quando no mundo fora de mim
Nem meu, nem seu ou dela
Em um velho novo mundo nosso 
Nos encontraríamos, e assim,
Construiríamos novos círculos
E pontes de luz que nos ligassem
Pelo espaço-tempo e relativas gravidades
Agora sendo interseções
Como as tantas sensações de um filme de arte
Em minhas várias formas de querer
Em suas várias formas de sentir
Todos éramos um
Um mesmo amor
Interdimensional

quarta-feira, 18 de março de 2015

Blues Butterflies

Em meu quarto compasso sonhado
Ainda era noite 
Mas ela veio numa valsa em G
E me acordou com seu canto celular
Sua luz me tocou como um beijo de fada
E em fotossíntese
Eu que era uma fóssil borboleta azul
Acordei suspirando
Canções floridas do juazeiro

domingo, 15 de março de 2015

Bandeiras

Nem azul nem verde amarelo
Sem bandeira inventada
Simbolizando o desnecessário
Demarcando os que se dizem donos
Dessa terra usurpada
Apesar do amor pregado, na cruz
Na foice e no martelo dos funcionários
Dos soldados, seguindo as ordens do estado
Da paixão, pelo poder, pela necessidade
E até penso em Cristo e Maria Madalena
Nos crentes em suas mil verdades egoístas interpretadas.
Mas não. Nem vermelho também... 
Por que a luz tem todas as cores
Os tons e semitons que preciso
E é o que me serve enquanto artista
Mas me olho no espelho, a tela desligada
Que serve de apoio para o xaxim
E sua flor, responsáveis pelo prisma na sala
E vejo todas as cores dentro de mim
Sentado no sofá, estou na ala das baianas
Das cearenses, de todas as sertanejas
(Na avenida, no carnaval, nas cozinhas, nos canaviais
Nos salões de beleza, nas senzalas, clamando por liberdades sexuais)
Sim, falo feminino, das mulheres, além dos gêneros
Dos homens não se carece comentar
Como homem eu calo por vergonha talvez
Desse peso no corpo
Da superioridade do escroto
Que traz um pênis entre a as pernas
Mas voltando ao devaneio
Na realidade, eu sonho
Acredito que nessa confusão
Nessa convulsão dos sentidos 
O amor, a humildade e a tolerância 
É paralelamente um caminho
A ser trilhado por todos
De mãos dadas
Tocando, cantando e dançando
Em nossos círculos espirituais
Em nossos ciclos históricos
Em nossos circos familiares
Levante a mão quem for o palhaço triste
Agora sorria, que assim o espetáculo segue
E a alegria transforma o caminho
Em uma estrada nublada de esperança
Sejamos todos as crianças
Elas serão o reflexo
Do que vêem em nós

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O que nos resta

Onde a palavra encontra afago
A paixão veste-se por acaso
Sentindo "o sem saber" dos carinhos que encontra
O sorriso, adornando o rosto
Contornando os cabelos
Transforma-se em desejo
E a canção solfejando o olhar
Nos refaz, acreditar,
Que no fundo o que importa é a amizade.

Quando a saudade transmuta-se em dança
E esse movimento não descansa
Dancemos!
O que nos resta
É sempre o amor

Abestado

Ela me olhou e perguntou
O porque do meu sorriso
Eu mudei o semblante
Não falei nada
Fiquei contido
Sério e calado.

Esperei alguns eternos segundos
E assim como quem não queria tudo
Apenas um pouco de absurdo
Num cinema mudo brincado
Implodi uma risada boba
Que começou pelo canto da boca
E se espalhou pelo céu alem dentes

Inclinando a cabeça às nuvens
Num rápido devaneio de mil bel'imagens
Suspirando feito adolescente apaixonado
Equilibrei minha alegria e entusiasmo
E voltei a sorrir assim tão honestamente
Que ela finalmente entendeu o recado
E sem me perguntar mais porquês
Desnecessários
Dançamos as mãos, embailados

Ela disse eu meu pé d'ouvido
Que às vezes eu parecia um menino
E me disse pre'u deixar de ser abestado
Eu cantei um trecho de uma canção
Que tocou seu coração 
E voltamos a falar a mesma língua
Universais reginalismos
Saliva, suor e pecado 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Sobre a Mesa

Na minha voz da consciência
Ressoa um canto de criança
Que saltava, ressaltava nos quintais de esperança
Entre uma vida e outra de eternidade
Tendo surtos de sua individualidade
Quando ela sonhava com sua gente 
E reconhecia aqueles com quem entrelaçaram caminhos
Nas veredas noturnas dos sentimentos
Gerou-se alguma forma de comunicação com outros mundos
Como se nos primórdios a poesia, e toda arte fosse uma tecnologia
Uma pontes entre dimensões 
Em palavras que acalentam as almas
Nada mais são que vivos-versos-verdades, divinas, comunhão
Intercessão
Ponho as cartas na mesa branca
E me deixo ser instrumento
Da salvação

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Vidas

As vezes sinto como se o corpo fosse sucumbir
E em um nauseado bailado
Viro os olhos e encontro tuas mãos no céu
E o tonteio transformou-me em valsa
Beijaste minhas mãos
Eu senti tua energia branda
E então ja éramos dança
E tua canção se fez em mim
A fraqueza transmutou-se força
A tristeza transbordou-me em lágrimas
A alegria se fez
A cura se fez simples assim
Como o sorriso
No milagre da felicidade
Nessa vida-baile baile baile de máscaras
Sem máscaras
O carnaval
A reencarnação
A morte e a ressurreição 
Da carne, fraca, da matéria em recomposição 
Tudo é uma desfarsa encenada?
Entra em cena a realidade
O câncer vem e confunde o corpo
A obsessão vai e confunde a alma
A oração, a fé, as músicas que traço
Tudo isso me faz achar graça
E eu não pago pra ver
Por uma eternidade
Não me cobrem o amor
Pois o amor é de graça
O perfume da flor
A luz do sol
As cores dos céus
A tempestade que me lavra
É de graça
A canção do vento
A bailado das águas
A poesia...
A mulher,
As mulheres que rogam por nós
A virgem Maria
É cheia de graça

Elipses

Nosso tempo já passou
Nosso tempo é agora
Está passando
Enquanto você pensa demais
Eu estou sentindo muito
E canto no tempo que quiser
Tráfego entro o futuro e o passado
A música é meu presente
O tempo é o que o sentimos
O espaço é o que pensamos (que sabemos)
O amor
O amor é um substantivo feminino
Uma singularidade
A paixão que vivemos
Que atrai os corpos
É gravidez é gravidade
O que nos faz eternos
São nossas almas girando
Nessas elipses
Há espiritualidade

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Maria do Mar

Maria ia
Ia ao mar
Ria
No caminho
Eu também ria
Seguindo para o Rio
O rio levando ao mar
O mar nos fazendo sorrir
Enquanto íamos o sorriso nos levava
Nós estávamos nos caminhos das águas
E em toda lugar onde a gente sonhava
Maria estava e seu sorriso brilhava
E de tempos em tempos
Escorriam lágrimas de alegria
Como nos ciclos da natureza

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Reza

oração é uma forma poesia
Não adianta ser apenas decorada
De nada vale ser apenas repetida
So tem função se for pensada
Só tem sentido se for sentida

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Companheira

Amanheceu
Ela acredita
Depois do eterno luar
Em que nos sacralizamos
Com todos os feitiços pronunciados
A menina dançou, cantou
Ela acredita
Sentiu toda a ancestralidade
A individualidade de sua alma
O peso e a leveza do seu corpo e mente
A sabedoria inevitável da feminilidade
Da fertilidade, o sangue e a seiva da vida
Que jorravam de suas profundezas
A menina cantou, dançou
Em sua fé inabalável
Na certeza de seu sexto sentido
Ela me olhou por cima do ventre
Por entre os seios
E me derramou suor e lágrimas
Gozamos a vida, tragamos os sonhos
Conversando sobre o futuro
Ele pegou minha mão
Beijou meu destino
Leu meus lábios e interpretou
A poesia que eu ainda nem havia escrito
Eu cantei sobre seu corpo
O tempo o espaço e a gravidade
Em quais dimensões mais
Poderíamos existir em amor e tão leve poesia em densa material? 
Ela olhou pra mim e disse:
Amanheceu...
Eu acredito
Acredite
Tenha fé.