As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Entre idas e vidas

Ando assim
Pedinte
Como o olhar de uma criança
No colo da mãe
Na Rua do Lavradio num dia domingo

Vou seguindo
Construindo
Admitindo
Minha insegurança

Haja-me curiosidade
Mas que me caia o bom senso
Que me sirva de algo, a idade
O martírio do tempo
A sagração da memória
A espiritualização da razão
Sem o clássico medo da morte e do fim dos dias
Que os deuses tenham piedade de mim
Pois acredito neles
Mas tenho andado assim
Perdido...

Pecado?!

Tento recordar as orações
Ensinadas por meu pai
Que me acalmavam nos balanços de rede, solitários
Embalados por ninguém
Ou alguém querendo me dizer coisas do além
E eu não dei atenção

Pendente

Como o olhar da criança
No colo da mãe
Na rua são domingos
No Franciscanos
Em frente à praça das cacimbas
Numa lembrança em super 8
Num dia lavradio

Trago em minhas mãos
Sementes de esperança
Pra plantar aqui
E colher em outras vindas

Quer me ajudar?

- Toma.

Criança-eu
Peço-te perdão.
Prometo não mais fechar
Os olhos pra tua solidão.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Re-sentimentos

Por aqui, me beija o calor de novembro
E eu me curvo a soberania do sol
Nos avermelhandos clarins do arrebol
As aves de fim da tarde desenhando uma saudade
Que se confundi entre aqui e ali, qualquer lugar.

Os caminhos que tomamos
Ainda não mataram nossa sede
Nos aventuramos nesse Rio
Rumores, amigos e amores por um fio
De esperança e ânsia costurando realidades
Os sonhos deixo pra o destino e suas fatalidades
Desencadeando uma dança entre os sentidos

A distancia entre a lagrima e o sorriso
São as travessias desses mundos que se cruzam
E que tornam possíveis as reinvenções do amor
Intervenho essa poesia urbana com uma flor
Que trouxe comigo em palavras que lhe canto
Do meu sertão, tome pra ti este acalanto
Uma sombrinha em teu peito, amenizando essa dor

E tudo o que eu falar daqui pra frente
Será uma meia lua de contentamento nos dentes
Querendo transmutar como uma paixão nascente
Exercendo poder sobre tuas águas
Os outros elementos não te trazem magoas
E reconhecem tua poesia insistente

A terra, o fogo e o vento
E tudo o que reinvento
A razão e os delírios do corpo
Sim, tudo re-sentimentos!

Iansã


Bons ventos
Bons tempos e destinos
Os dias e noites
Sentidos
Sopro ou ventania
Brisa, que seja
Mas que nos leve daqui
Nos mova daqui
Pra qualquer lugar
Que não esteja fora de nós!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Insônia


Tua agre-mão não mais
Lavrará meu peito
Nem mais há de ferir
O meu elemento terra

Quebrando minha voz
Deixando-me sem canção
Roubando-me a palavra.
Toda a palavra...

Não quero chorar
Pra não regar
A semente de solidão
Que plantaste em meu sorriso
Espero não ser preciso
Sonhar essa estação

Vivo numa insônia dos sentidos

Ai! Pudesse dormir,
Quem dera!
Pra só acordar
Com um beijo sem mágoas
Na primavera.

domingo, 2 de novembro de 2008

O passeio das almas


De paixão ela nada entendia ou sentia
E ignorava meus bel-desejos.
Vestindo cinza nas noites sextas
Fugia da incerteza dos sábados.

Ela não lia os olhos, mas tudo bem...
Pois não se encantava com ninguém
Que fossem inodoros os cheiros
Que fossem galantes os silêncios

Fique com minhas flores
Eu aceito suas dores

(E todos os seres de imaginação pintados
Ganhando vida em outros corpus
Dominando as peles que os vestem)

Sempre que te vejo calada
Apenas concordando com os absurdos
Escuto vontades em clarins, taróis e surdos
Desfilando como num sete sem setembro
Em arranjos de luz, teu pensamento
Seduzido azuis, meio des-dobrados
Num confuso domingo agoniado
Em que o peito explode calado
Alvoroçado com a fanfarra dos sinos
Num fim de tarde eterno franzino
Solitário, sem noite, madrugada
Sem segunda feira, sem nada!

No Juazeiro, nos franciscanos
O passeio das nossas almas,
Penadas

A manhã não vem?...


Ouço o canto abafado das árvores
Através dos muros que criei
Pelas portas e janelas que cifrei
Pra nos afastar

Ouço o tempo sem passar.
O som do silêncio entrecortado em suspiros
Enquanto adormeço.

Um estrondo rompe o martírio dos cílios,
Quebrando o cristal de sereno nos olhos!

Estou em transe...
Misturam-se sonho e realidade,
Sigo pelas ruas da cidade
O meu corpo são palavras
Minha alma, são canções.

No socorro
Acendo velas e angustias
O incenso nas narinas me causa aflição
Te rezo, e tenho uma leve impressão
De ouvir tua gélida voz me consumindo o juízo

Pra enlouquecer de vez
Tudo o que precisava agora
Era desconfiar que ainda habitas em meu peito
E eu fico assim sem jeito
Tua presença me apavora

Os pássaros, onde estão?
A manhã não vem?!...

sábado, 1 de novembro de 2008

Tormentas


O que você quer de mim?
Quer que eu lhe conquiste?!
Mas como posso fazê-lo se você não insiste?

Quem me dera, me banhar
Ou que fosse apenas navegar nas tuas águas!
Dançar com a fúria e beleza de um ciclone

Calmaria ou tempestade

Só não quero ficar aqui
No porto seguro da saudade
Entre canções atuantes
No precipício dos amantes
Que não expressaram suas cores
Com o corpo, com os olhos
Todos os sentidos!

Esta inércia me atormenta
Eu mesmo prefiro as tormentas
Temporais são necessários

De teu amor serei corsário
Sendo água, és sereia, me encante!
Pois sem terra, sou marinheiro errante

Que teus olhos me vejam e sejam
Meu farol, minhas candeias, e que eu cante!
Os ciclos da tua natureza!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O que lhe fiz sentir


Minha vinda aqui
Foi pra te encontrar
Te encantar, te conquistar, é levar...
Mas, uma pequena solidão veio e ensinou-me
Com aquele mesmo carinho com o qual você me abraçava

Uma estrela no céu do sudeste
O silencio ritual que me deste
Pra pensar melhor
E cantar as coisas que não falo.

Eu que já estive pior
Hoje tenho tua lembrança ao menos
Tenho tua esperança ao menos.
Recordo da tua bagunça na hora de amar
A inquietação das perguntas.

O que lhe fiz sentir
O que me dei a ti

Como o meu cheiro te marcou
Como o meu beijo te desarmou
Como minha existência te afetou
O amor que te seqüestrou e devolveu
A um mundo que não mais era meu

Tua voz e palavra recriando tudo o que existimos

Devagando


A impressão que tenho
É que tudo está diferente
Não distinguo o que se coloca como antigo ou recente
Uma ênfase à um suspiro inesperado
Sabia e propicia oportunidade
De dramatizar minhas perceopções

Em meu peito
Não há mais espaço pra esses interlúnios
Inexplicável forma de se permitir
Que nos conscientizemos de nossos sonhos
E sua importância.
Vago, vago nesse vago vagão de rostos inertes
Círculos isolado de distintos e solitários desejos,
Todos num coletivo, porém
Desolados de qualquer pensamento em comum
Eu aqui e você aí, ao lado um do outro
Em universos paralelos que criamos
Com a anti-matéria dos fugidos olhares fingidos
Em nossos infinitos particulares

Em meu céu eu sou a lua
E teus raios solares chegam mim
Tocando meu rosto
Mas como você não se toca
Eu mingüo.

sábado, 18 de outubro de 2008

Estação


Esperamos tanto...
Saudosistas
Com as imagens da infância nos acompanhando
Num devaneio sonoro de fim de tarde
Os vagões reverberando no encontro dos trilhos

Chega um momento em que não importa mais
A tristeza que errante se entrelaçando
Seguia a vida aparentemente contente
Entre os bons dias que escapavam da prisão dos dentes
E as automáticas respostas de "tudo bem".

Mas hoje meu bem
já nem leio ou escrevo em coletivos
Nos movimentos sinuosos de idas e vindas
Já não sou mais apenas aquilo que penso
Sou aquilo que sôo, pronuncio, exponho...
Tudo mudou
Quando você me ensinou a falar cantando

Nas linhas férreas de meu destino
O Trem enfim voltou
Por mim passou e me atropelando
Esmagou meus planos
A vida me feriu em toneladas de sonhos (de aço) sobre mim

No turvo céu do sudeste uma solitária estrela brilhou
E me espiando cintilou uma saudade

Eu estava ali, entre os mundos
Esperando uma passagem pra outros planos
Porque enfim, o trem voltou e passou por mim.
Na estação, me atropelando.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O compasso dos meus passos

Tenho meu ritmo
Quem quiser me acompanhar
Que siga em meu andamento
Seja na desconstrução de sonhos
Ou mesmo nas ruínas da fé

Tenho pulso e argumentos
Para qualquer desilusão que se coloque
Entre eu e minha tristeza!
Deixem-me!
Deixem-me morrer aos poucos
Como os loucos, os poetas
Sentindo tudo o que devo cantar ou calar mas não posso.

Só assim renasceria
E cresceria, sem elogios pra alma
De karmas superados
Na estupidez vencida dos anos
Entre estios e chuvas de meu peito

Compondo o passado
Vivendo o processo dos dias infindos
Só.
Sozinho
Como tiver de ser, ou não
Não mais existe questão
Respondi as minhas duvidas pra mim mesmo
Em silêncio
Nos idos anos em que estive fora de mim
Ou dentro de mim
Perdido

Enfim, caminho.

Seguindo em meu andamento
Quem quiser me acompanhar
Que descubra meu sentimento.

Interpretando


Roubarei seus mitos
Vestirei as mascaras de seus ídolos

Revestirei teu corpo de mim
E assim, serei teus sonhos não realizados

Teus medos transparentes
Transpassados
Transmutados

Tu me odiará
E me adorará
Sem diferenciar
Fé e descrença

Porque eu te darei minha cena
E esta não será uma participação pequena! Não!

Na nossa banda de cá do mundo
Não serão feitas marcações
Não serão lidas partituras

Sentiremos a dura vida
E improvisaremos

E nos tocaremos
E tocaremos

Da forma que quisermos!

Eu nunca lhe disse
Que só acredito no que toco
Que só interpreto o que vejo
Allegro-me
Presto atenção no que faço
Mas não me prendo aos compassos
Da canção entre minha voz e teu beijo

Amanhã outra dança


A noite segue em seu curso de sonhos
Como um rio de águas barrentas e revoltas
Fio-me em minha humilde morada
Ao som do canto fortuito dos pássaros
Melodias madrugais cruzando o espaço tempo.
Entre novelos de estradas-labirintos
De uma arredia chance sincera
Reinvento contos de uma primavera inesperada
Ansiando uma manhã de olhos alquebrados e ofuscante luz!
Em plena meia-noite.

Uma estrela me conduz, e é assim que sigo...
Um dia após o outro, absorto, lúgubre, Ferraz e tênue!
Absurdamente despreparado pra outra tarde
De cafés e diálogos prósperos
Uma vida inteira
Em segundos
Debulhada como um terço, e uma cega fé em nós mesmos
Pra todas as nossas novas possibilidades
Encantando futuros
Escrevendo-lhe versos
De um entendimento momentaneamente delicado
Quem sabe depois, sentindo?!
Sentimentos, ressentimentos?!...
Tempo pra pensar
“Horações” pra antes de dormir e sonhar!

Amanha é um novo dia.
Hoje agora é aqui.
Amanhã outra dança.
A existência
Esperança

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Caboclo de Asas

Sigo a voar pelo mundo
Acompanhando o sol
Num eterno meio-dia

E no espaço de sonhos
Onde as poesias do tempo
São de minha autoria

Pouso no Araripe
E ao aterrissar nos olhos
Cariri que sôo
Logo me toco!
E te realizo.

Minha artesã-nata-canção
De terra, semente e esperança
Adivinho o que virá pela frente
Como um ritual de pajelança

Logo te toco
E me realizo...

E então somos verdade
Num transe
Anunciada
Escrita e cantada

A duas vozes e quatro mãos
Beijos ofegantes de paixão
Minha centelha da Mãe D'água
Envolvida em capuchos de algodão

Sou um caboclo de asas
E minhas palavras de fogo
São profecias Cariris
Varando a tristeza
E a maldade do mundo

Realizando-nos!

domingo, 5 de outubro de 2008

Ethereos

O que faz de nós seres humanos?
Qual'a essência que nos torna ethereos?
O espírito, a alma? O raciocínio, a consciência?...
Tantos corpos sem idéias que vagam vazios
Sem um mínimo de paixão, ao menos, que lhes preencha
Sendo assim, não ha ciência, nem magia
Não ha poesia
Nada que nos guie em alguma verdade.
(Mesmo pra quem não acredite ou queira alguma)

Olho as estrelas.
Tento desenhar nas constelações
O que poderia ser do alem-céus
Navego meus desejos, sem beijos, sem abraços, sem sexo
E não encontro entre meus versos, algum nexo que eu possa cantar
Assobiar, ritmar, harmonizar.
Lapidar.

Parece um velório
Porém, sem choro nem rezas
Pêsames ou incelenças
Meus sentidos estão mortos
As vezes quando tenho fé, creio em Deus, e peço que impossivelmente
Como num passe de mágicas
Um milagre aconteça!

Até onde será possível
Fugir os olhos pra um futuro qualquer
Perdido entre nossas tantas procissões?
Meu manto azul e branco, a cruz e o rosário
Meus cabelos e barba voando num vento cósmico...
Arrastando meu juízo e me trazendo delírios
Com os quais em transe rogo:

-Minha senhora!
Uma esmola de inspiração!
Pelo amor de Deus!
Qualquer sentimentozinho me serve!
Por caridade, ajudai esse irmão seu!
Que pena, que pena
Sem um amor em seu peito!

Não tenho fome
Não tenho sede
Não tenho nada
Alma sem corpo, desenganada.

E assim como o vazio do mundo
A falta de amor nos corações
As palavras ditas sem um cuidado pequenino que fosse!
Sonho pra que versos ressuscitem
E que tragam paz pra os que aqui habitam
Entre uma e outra eternidade que transponha limites
Da vida ou da morte que nos tocam incansáveis
Somos instrumentos conscientes de nossa liberdade
Então porque sempre nos isolamos?
Existe uma imensidão de veredas infindas
Cruzando nossas idas e vindas
Não podemos continuar como estranhos
Perdidos nesse universo em expansão!

Se o que vejo são duvidas no coração
O que posso fazer, então
É sofrer, seguir, viver
Com as certezas cegas da razão?!

Sem fome
Sem sede
Sem nada
Alma sem corpo, desenganada.

Solidão.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Inventemos-nos

O que eu poderia te desmentir que você não soubesse?!
Alias tudo que te falo inexiste

E por isso que acredito, tanto, nos sonhos.
São minhas formas de dizer o que não pronuncio!
É o que tenho e deixei guardado
O que te dei e ficou comigo
O que chegou mas é sempre esperado

A omissão da verdade não é um silêncio
A palavra não dita, não escrita
Não existe pra nós, lembre-se!

Ela fica entre a primeira e a segunda pessoa
Do singular pronuncio do desejo. Realidade!

Sim! Realizaremos todos os nossos anceios

Se tu acreditar que o que construo
É tudo que te injurei ser mentira

Viverei e morrerei
Reinventando encarnações
Pra te encontrar!

Verdade ou não.

Inventemos-nos!

domingo, 7 de setembro de 2008

Todo sempre agora

A vida já me passa a ser tãobém lembranças

Memórias a dançar num entremeio das mãos
No corpo trêmulo de umas dezilusões
A juventude(,) as exposições
Do Crato, as paixões
A fé, a pé, pelas praças da cidade
Os pátios milenares, a igreja da sé

Quanta saudade...

O Belmonte
O Granjeiro
O Serrano
O Lameiro

As águas místicas e seus ciclos em mim
Deusa-mulher, serpente de caldas sem fim

As mil e uma noites (e dias)
Os desejos no rosto
As loucuras sãs da idade latente
Vivi tudo, sim!
E hoje recordo contente.

O sorriso caboclo em câmera lenta, guardado
Que ainda me atenta ao pecado.

Profano e sagrado, caminhos
Sejam’os juntos, ou sozinhos

Tudo o que por mim passou
Ficou! Não foi embora.
Minha razão e juízo cantando
Os delírios eternos do todo sempre agora!

domingo, 31 de agosto de 2008

Letra e musica


Ela me deu um sorriso e nos despedimos
Nos despimos de qualquer ilusão
Pra nos vestirmos, as noites
Pra que minha viola notasse a nostalgia
Com a qual se faria essa canção

Voltei os olhos, ela me olhou e também me viu a olhá-la.
Eu só esperava o um próximo dia, uma próxima tarde
E um qualquer motivo pra descrevê-la

Mas, porque não agora?!

Seria óbvio?!

Uma paixão que rabisco em você
No tempo presente, no tempo restante

A saudade não se conjuga em prantos
A mágoa não verbaliza carinhos
A tristeza não me é um adjetivo que escolhi.
O fim não é substantivamente o bastante pra nós!

Minhas palavras de um português comum
Não ignoram a gramática de nossos desejos quando me expresso
Porém, admito que a musica de meus versos
É tudo o que tenho pra te conquistar

Por isso

Leia essas palavras cantando
Ouvindo os sons que lhe sonho
Sentindo o amor que lhe sinto

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Palavra por palavra



Caminhamos
Sol'letrando nossas poesias
Sentindo o efeito dos sentidos,
Sentidos,
Mas, vividos em cada fase e frase
De nossas vidas con-fundidas
Nessas paginas que não existem
Mas por amor insistem! Existem!
E assim são,
Como nós,
Verdadeiros(as)

Escrevamos e vivamos nossas vidas
Tatuando as retinas com a flor desses versos,
Os ouvidos com nossas preces apaixonadas
Ecoando no vento
Palavra por palavra

Força x poder!


Teus dias se vão como
Fossem estrelas cadentes
Teu sorriso é de repente
Quase nem pra sonhar
Teu ciclo é lunar
Tua história é diferente
Mesmo assim sei que agente
Segue num mesmo caminho
Entre rosas e espinhos
Teus desejos de mulher

Me azunhe, me devore
Quero ser os teus instintos
Só assim tudo o que sinto
Poderá te realizar
Pois enquanto eu cantar
Com teu cheiro em minha mente
As palavras simplesmente
Vão rasgar toda incerteza
Com você não há tristeza
Entre nós não há mistérios

Eu não tenho forças pra te domar
Mas eu tenho poder pra te conquistar!

Dançaria pra mim uma última vez?!



Eu te queria em minha liberdade
Construindo efetiva e afetivamente
Os elos que nos protegeriam em nossas saudades

Teus braços de luz, bailando
Teus abraços de sol, teus olhos...

Dançaria pra mim uma ultima vez?!

A vida me tornou assim...

Após um sono de incertezas
Sepulcro de minhas vaidades
Velas acesas pra o destino

Procissões em teu louvor
O andar do andor
Teus rosto de santa
Tua voz em minha garganta

Flores, rosas. Incenso.
Um sacrário de sentimentos
E um rosário nos dentes.

...Esse teu manto de espelhos...

São pra ti minhas peças de reisado
Minha senhora das dores
E dos prazeres
Aquela que por mim compadece
Quando me perco em penitência

Tu és minha própria essência!
Minha consciência.

Tenha paciência
São tuas, as cores do meu mundo
Realidade ou sonho profundo, tanto faz!
Visão clara de um absurdo de nós, que seja!

Tudo isso é amor
Quando canto!

Nada disso é amor
Quando calo?!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Enquanto dormíamos


Fugiam fagulhas de luz
Dos teus olhos fechados dormindo

Davam-me canções tão belas
Teus lábios deitados sorrindo

Entre eu e meus pensamentos
Entre tu e os teus sentimentos
Entre nós, uma rosa dos ventos

Entre-tantos, caminhos...

Luzes na estrada dos sonhos
Insono
Tu dormes e eu acordes
Candeias, orações
Ladainhas, estações

Me deste uma coroa de espinhos
Mas junto, dor e direção

Tu acordada e eu dormindo
Destino, sacrifícios
Dúvida e decisão

Realidade ou não?!

Cansamos!

Acordamos?! Dor-mimos?!

Olhos fechados sorrindo
Boca entreaberta luzindo

Murmúrios

Paixão

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Seca nos olhos

O que eu tenho que te faz chorar?
Que sina é essa que me atrai teus desejos?
Vivo nesse vale de lagrimas
Cantando tua longetude
Ando com os nervos pisando em flores
E essa saudade insaciável

Eu também sinto essas dores!

Mas não consigo me ver em prantos
Nem vencer à tarde que me prende sem sono

Calculo o tempo pelos astros
Mapeio nossa relação com signos
Tatuo essa aflição em meu corpo
Mas sem sentir, atuo e escondo do mundo
Tudo o que eu já vivi nesses dias de tristeza

A certeza que tenho, e me dói
É que não consigo lacrimar minha infelicidade
Nem morrer de desgosto por ser assim
Sofro ao te ter longe de mim
Pois não te quero fazer mal...
Te agredir com meus beijos de sal
Te prender com meus olhos no céu
Te marcar como um bicho no cio
Te ferir com meus abraços de sol
Te entrigar como o hemisfério sul


Hoje vivo uma seca em meus olhos
Por isso essa distancia...

Doentia Saudade

Porque me deixaste assim?
De alma gripada, febril?
Moca pra te ouvir desculpas?

Sem nem palavras mudas
Gestos,
Um olhar.

Queria me curar agora
Com as rezas de Comadre Luca
Os chazinhos de mamãe
Os abraços dos amigos!

Que meu corpo construa essa saúde
Expulse as árduas mágoas de cantor, ator
Palhaço, dançarino, brincante-menino
A pintar no vazio, poesias com sangue!

Mais nada de lágrimas e dor!
Nada que me deixe mal-curados e tristezas!

Quero algo pra desafiar
Desafinar
Amofinar
Essa minha renitente
Doentia saudade.

Espírito de Barros




O que é isto em teu rosto nu?
Marcas de uma outra vida não mais tua?
Será que outro podem ver o que vejo?
Estes traços de vaidade
Escondem-se de mim quando "não sou"?

Te vi agora por um ângulo incomum aos nossos contos
Te desconheci só agora, por insistência do meu orgulho, acho
A décadas, nas dúvidas, nas dívidas transformadas em dádivas,
Eu escolho o que nos agradar em memória do que não houve

Não, não irei só por mim sem traçar os planos através dos tempos
Porque é nesse meio termo de uma paixão
Que deixei pra trás tantos livros vividos pelo chão
Pois na realidade, estão em meu coração,
A experiências nos olhos dos que escrevem sonhos
As margens dessa visão de tantos espectros
E aspectos introspectos

Aceitaria uma volta ao mundo?
Uma flor, um jardim suspenso!
Todo o absurdo contivel
Em uma bobagem minha?!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Simples!

Em outras palavras

Entretant'as promessas

E eu não pude te dar aquele carinho

Porque ele não era meu...

Da mudes e dos gritos

Ela tem os meus segredos
Contei todos no pé do ouvido
Antes, durante e depois dos pedidos
Dos sins e nãos, confundidos

Ela sabe de tudo, de todos
Os meus nexos com o infinito
Da mudes e dos gritos!
Da hora passada e aflita,
Da alegria sóbria e bendita
De toda a história
Que não jurei nem desmenti.

Inventava tudo pra te agradar.
Era o que eu sabia fazer, cantar.

Francisca foi cega, surda e muda
E numa viagem pra o maranhão
Relembrou de tudo e assim ficamos, claro,
Ela tinha aquela mesma sensação
Que ao voltar tudo seria diferente
Corpo, mente e coração
Soando, incandescentes.

Que saudade desse tempo!
Vou me banhar em tua saliva
E usar a camisa verde oliva
Que tu me deu quando voltou
Daquela viagem pro Maranhão

Ela tem os meus segredos
Cega, surda e muda
Ai! Francisca, minha boneca
Ai! Francisca, minha princesa.
Tudo muda de lugar
Mas nosso amor não muda,
Canta! Grita! Esbraveja!

Quero te ver e ouvir
Te abraçar e cantar
Nossa grã-felicidade
Do Maranhão à saudade
Do meu silêncio à você
Um xote, um reggae
Um rock, um Iê, iê, iê!

Leio olhar e escrevo sorriso

Já que é assim,
Que ela me desse um motivo para amá-la
Nem precisaria ser um motivo real
Poderia ser algo inventado
Isso! Uma mentira!
Uma estória criada pra me conquistar os planos
Um conto de fadas
Um canto de fados
Um destino com-fundido como espelhos

Que minh’alma trague essa vontade em fogo, vidro e prata
Que eu mereça a possibilidade de querer-te
Que você me dê uma chance de conhecer-te
Que eu possa absorver todas as suas palavras
Lendo o sorriso, o olhar

A palavra escrita nas costas de quem carrega o peso
E a escolha do amor incondicional

Independente da verdade que se acredite ou invente
Vou refletir sobre o que tu me trouxer com carinho
Irei ver com calma essa sua idéia e vontade
De me convencer a acordar pr'esses sonhos

Enquanto (isso) não descanso?!
Fecho os olhos.
E apenas...

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

E a relatividade do vento?!

Olha, precisamos de beijos, virgulas, lagrimas e poeira nos cantos da casa!
Precisamos de tudo! Mas que nos venha nada ou até um pouco de talvez...

Entender o vazio, ao encher-se de tudo,
Encontrar um equilibrio.

As mãos no escuro percorrendo o corpo
A surpresa do amor sonhado realizando-se!

Querer as vezes é pra todo sempre!
Do contrário, se me quiseres para sempre as vezes...

(Frase escrita e apagada num reflexo)

Querer sempre querer
Sempre querer sempre

Faz alguma diferença?!

A ordem dos desejos não altera o sentimento.

sábado, 2 de agosto de 2008

Ê, vamos vadiar!


Tira esse teu véu de vaidade
Assim verá que no céu de tua cidade também tem estrelas.

As luzes artificiais não podem corrompê-las

Te concentra, pode vê-las!

O negror azul do nocturno firmamento
Transporta-me a um sentimento que aqüefaz os olhos meus!

Baixa tua guarda!

Não vim em guerra
Não roubarei tua princesa
Minhas peças e entremeios
Não me são função aqui
No máximo uma embaixada
Pra que eu possa transpor teus limites

Deixei meus pés de serra
Pra cantar noutros reinados
Vou levando o meu reisado
A cantar em outras terras

Se um dia quiser poesia
Abre a porta de tua casa
Teus desejos serão minhas asas
E me trarão até aqui!


Hoje vivendo minhas paixões
Me contento em ser um beijo que errante
Te persegue em sonhos nas cestas
Mas só porque sempre pensas em mim
E reza as canções que te fiz assim
A vadiar pelo mundo

A vadiar pelo mundo
Com essa cruel realidade
Não mais me confundo

E vivo a bradar pelo vento
A saudade de meu amô
Não chore, meu bem não chore
Até pra o ano se nóis vivo fô!

Entrelendas

E tu, cunhã
Qual mesmo é tua alcunha?
Essa mascara que te veste pertence a qual tragédia não escrita?!

Se eu adivinhasse tua graça
Tu acreditarias que seria pela óbvia semelhança
De você com uma flor, uma rosa, um harbor
E que me a-sombra nessas horas em devaneio?!

... Nas brincadeiras de Reis
Em cantigas e trupés que te encontrei

Óh índia entremês das noites inteiras bailadas!
Óh menina transvestida de sonhos e simbologia ancestral!
Óh meu Cariri de saudades...

Renova minh'alma com o teu poder de cura
Sacia minha sede com teus beijos e seios de mãe d'água
Em todas as luas, antepassadas, presentes e futuras
Coroa minha noite com tuas canções incansavelmente belas
Brinda minhas manhãs com o despertar em teu aconchego
Castiga minhas tardes com uma pequena e ávida ausência tua
Pra só então re-tornar e re-voltar e a-calmar, meus braços
Com a força das aguas de tua natureza
Na presença cósmica de teu feminino inumano
Renascida dos capuchos de algodão dos
 meus sonhos.

Nas próximas horas,
Ao pôr do sol,
Ao som de píferos-pássaros

Nosso amor sagrado desencantará,
E reinará sobre esse mundo, em abundância!

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Arpejos de luz

O que fazer pra te desconcertar?
Como arrancar de ti a melodia dos teus poucos e tímidos sorrisos?
Eu te canto, mas tu sempre me tocas assim tão séria...
Re-quebre o andamento das coisas
Os meus olhos seguem tua direção!

Deixe-me ser uma extensão de teu corpo sonoro
E vibrar na tensão de um desejo
Alheio a tudo o que se passa em primeiro plano
Os arranjos, os jardins
As flores de teu vestido de cetim

Ouço atentamente
Uma orquestra perdida em teu jeito descontraído
Me observando com o pensamento,
Com um sentimento
Que te musicou em mim

Nunca mais esquecerei
As cores que teus sentidos me deram
Enquanto tingíamos novas canções dentro de nós
Sustenidos e bemóis
Em nossos corações
Relativamente apaixonados

Dois sons pra um mesmo nome
Não é tão simples assim! Que fosse, não importa!
O que agora me consome
São os intervalos que existem entre nossas harmônicas diferenças

Na tessitura em que rezo minhas crenças
Teus arpejos são luzes pra meus ouvidos!

quinta-feira, 24 de julho de 2008

O Tesouro do Céu



No que você se dispõe comigo
Contando as vidas, na trilha da existência
A ciência dos céus
Os horizontes da vã espiritualidade?!

Menina encantada no firmamento,
O que posso eu fazer pra que tu me sejas um pedido?
E que se realize, sem que precises também deixar de ser sonho?!
Eu sempre contei estrelas, mundos e anos-luz de possibilidades
E nunca temi que em meus dedos nascessem inverdades

Meu mapa astral me levou a ti.
Dos confins do hemisfério sul, observo o cosmo!
Meu sertão lendário de poesias cadentes.

Eu um sumério a desbravar desejos sem limites
Um cariri a tragar mistérios, acredite!
Prevejo o futuro recifrando nossos mundos
Em canções que brotam do mais profundo âmago

Os que somos, o que fomos,
O que desenharemos nas nuvens e além?
Nas constelações?!
O que faremos pra nunca deixarmos de ser elementais?!

Na falta de gravidade, uma gravidez imprevista
Os olhos me saltando a vista
A dádiva mais sutil do universo
A rima mais pueril dos meus versos

Foi o que aprendi em tantos planos vencidos
Evoluindo em danças circulares ethereas
Minha alma que sempre foi tão séria
Hoje sorri cantando em lágrimas
Uma velha canção à capela

sábado, 19 de julho de 2008

Crença

Venho sobrevivendo
A cada ataque de teus distantes carinhos
O olhar, o cheiro, o sorriso...

Me desmantela essa tua coragem
Esse poder de me encarar descrente
Em qualquer forma de poesia impronunciável
Desnecessária recordação a rondar-me
Como o teu nome posto à mesa
As pernas em suas certezas
E as palavras indigestas
Ignorando desejos

Eu me percebo nessa farsa,
Nesse teatro de gestos indecisos
De mãos em mãos que não dançam coisa com coisa.

Como os que cantam,
O que preciso é ter uma certeza
Mesmo que incerta
A porta do teu peito
Ao menos entreaberta
O que preciso é acreditar em algo
Mesmo que inventado
O que preciso é acreditar na altivez dessa palavra
Mesmo mentida,
Nas estórias que me deram teus olhos de atriz

O que preciso é acreditar naquilo que sempre existiu.

E ironicamente, nunca inxistiu.
Sempre.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Praça de guerra


Foto: Junior Panela
Nesse cenário de mágicas batalhas
A cidade cresceu vorazmente
Engolindo minhas ânsias, e infância
As ingênuas aventuras da adolescência
Minhas dúvidas da fé, as críticas à Deus.
Cristãos, mouros e ateus
Lutando juntos pelos seus
Defendendo lembranças

Meu compromisso aqui era cantar, dançar!
Plantar flores
Semear esperanças
Nos jardins-saudade que cultivara
Dar poesia, sombra, e aconchego pra ignorância

Mas o que via, me entristecia!

Que minhas lágrimas ao menos regassem a terra!

O homem urbano-sertanejo, inumano, desencantado
Pisoteava, talvez, até sem saber
Os canteiros que fazíamos
Pra nos trazer alegria
Pra nos fazer sonhar
Pra nos fazer enxergar os reis, princesas e cavaleiros
Que cantavam o dia inteiro
Pela paz desse mundo prestes a guerrear!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Solidões

Eu não resisto
A essa tua forma de falar cantando
Louvando o sol que anistia teus braços
Teus abraços de tardio retorno
Os beijos de criança em meu rosto
O teu olhar vaidoso
O perfume, o corpo

Deixa
Que eu te trago em tragos largos
Com o prazer e dor de um vício
Não me largue
Estou preso, mas, largo de amor
Como uma folha, uma flor ao sol ao vento
Teus olhos me translando
Tua luz me fazendo fotossíntese

Pra ti, algumas palavras, frases, versos
Rimas comuns pra um mundo complexo
Um torpor pra acompanhar tua fisiologia
E qualquer sonho que te traga aqui
Que nos dê simetria, ritmia
Equilíbrio e suspensão no céu
Gravidade pra sonhar e manter os pés no chão
Seguindo caminhos

Uma coisa é certa
O que plantarmos em nosso coração
Regado à paixão em suor e sangue
Um dia nascerá, rasgando o peito
E crescerá pelo mundo
Cumprindo o seu papel
Em nossa flora complexa e delicada.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Onde está?

Onde está aquele sorriso
Que iluminava o meu caminho
Que me mostrava um destino
E que cantava?

Onde está aquela vontade de percorrer os versos
Antes que saiam da boca
Antes que fiques louca
E a vida míngüe?

Onde estão os teus sonhos?
Tua saudade desesperada?
Teus absurdos de amor no pé do ouvido?
Eu duvido, duvido que não se lembres de mim!

Teus olhos onde estão?
Teu cheiro?

Teu vício? ...Sou eu?!
Tua fome?! ...Sou eu?!

Sua vida
Onde está?
A dias te procuro,
E sigo sem acompanhamento
Minha voz solitária gritando o que não sei cantar
O que não tem palavras, ritmo,
Sentimento quase imusicável
Que não existe em ti

Ou, sou eu que não existe em ti? Não mais?...
Tu em mim, onde está?
Ando assim
         murmurando
Algo relativo a você!

Mas que não é teu nome
Não é teu lugar
Tuas idéias, não são.

Sem mais o que dizer
Tento cantar...

Onde está aquele sorriso?...

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Quem já se viu?!

Sabe?!...

Não importa a idade, a experiência
O ângulo, a lente, à ciência
Tudo vira lembrança e dói
A saudade chega e desconstrói

Um dia fechamos os olhos
E sem dar fé

Anoiteceu, amanheceu
E a vida passando!
Anoiteceu, amanheceu
E apenas sonhamos!
Anoiteceu, amanheceu
Entardecemos.

Quem já se viu?!

Sentíamos tudo
Sabíamos tudo
Vi-víamos tudo

E nem nos avisamos!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Entrelinha

Eu duvido que esta tua vontade alem dos versos seja apenas uma entrelinha
E me dou a ti, em minha verdade, minha humilde capacidade de enxergar um pouco além
Mesmo sem olhos, apenas direção, como disse Ana em sua vida-canção
Atrevendo-me a ser um discurso mudo em sua voz mais alta
Eu rasguei meu papel em sua simples existência, real.
Desdobrei-me em espírito em minha sã consciência.
Vivo. E agora?

O que resta?...

Uma canção?
Uma poesia?!
Uma palavra?
Um fonema?...

A todos vocês que lêem a minha vida.
Façam-me um favor, eu apenas peço:
- Interpretem-na, ao menos, ao máximo
Com os devidos sentimentos necessários!

Ou a vivam como quiserem.

domingo, 4 de maio de 2008

Marcado

Se me pedes pra lembrar o passado
Eu te digo pra esquecer o futuro

Na estrada em que os sonhos se perdem a andar
Eu vaguei sem destino, com tua lembrança
Tua insistente presença a me acompanhar
Furei-me nos espinhos, tropecei nas pedras...

Tomei chuva e sol
Embriaguei-me de poeira
E o vento me congelou.

Teu beijo me marcou
E até hoje ainda perfuma
Saliva, sangra e dói
Em minha boca.

Gaivota

E quando estou no teatro,
E o beijo é falso?
E eu contemplo minutos sem saber?
O que fazer?
O meu desejo é temer
Pra acreditar em você
E voar como as gaivotas...

E é como se eu quisesse vê-la
É como se eu quisesse tê-la
Como se eu quisesse sê-la

E se eu cortasse meus cabelos?
Ou os pulsos?!
E se eu fizesse a barba?
Ou as pazes?

Acreditarias em mim?!

Mesmo sem partir, eu irei te escrever
Mas não espero que você viva essa personagem!

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Me escuta!

Sinta-se beijada da cabeça aos pés
Onde posso e onde não
Onde devo e não

O importante... (-Devaneio)

É sentir minha língua profanando o teu templo sagrado da saudade
Disseminar a discórdia entre essa distancia e o tão sonhado beijo
Desacreditar da inútil fé naquilo que podemos e não concretizamos
Um dia sonhado é apenas "um dia sonhando" enquanto não deixar de ser
O poder da realidade está em nossa sina humana

Me surpreende essa tua vontade de querer-ter-ser poesias
Ponha-se no seu lugar
És estrela
És lua
És noite!
Volta pra o céu que te pariu e não me deixe mais em paz enquanto de olhos fechados
Eu te observo e canto
Eternamente.

sábado, 26 de abril de 2008

Andarilho do vento

Contarei com você
Quando estiver triste
Acordado sonhando
Num futuro qualquer de um dia encantado
É assim hoje com as coisas corridas
O tempo sempre agoniado, voando
E o coração nas mãos da poesia
O velho sorriso pendendo enferrujado no canto da boca
O olhar pedinte demasiadamente firme.
A farsa da tranqüilidade?!
Sigo os caminhos confusos de um andarilho do vento.

Linhas Tortas

Na composição de nossos mundos
Eu vejo cada gota de lagrima e dor
Mas também, a alegria que herdou
Nossas mais distintas vontades
A guerra, a reza, a festa e o trabalho
Tanto sangue derramado
E uma descrente desilusão
A beira de uma profecia
A espera da luz que nos guia
Nesses dias de escuridão

O grito tapuia
A ordem branca assassinante
A cor dos sonhos tingidos
Numa tarde sem sossego
Nessas terras de Badzé
Encantado tempo sem re-volta
Só pra frente é que veremos
O que no passado escrevemos
Em linhas tortas

Tarde no Quintal

Ando lendo o que escreves
Desata bem os nós da vida
Quando rompe o trivial
Sopro vindo do quintal
Da saudade, da infância
E que ressoa a distancia
Corpo nu sem ter idade
Aquarela ingenuidade,
Sons que invadem o destino
Tua palavra,
É como a voz dos sinos
A cantar de tardezinha
Em meu peito igrejinha
Num domingo de esperança
Ecoando a lembrança
De que não estás sozinha
A crescer sempre criança

Sonhemos nós
Que sempre lemos a voz
Menina

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Teu silêncio ritual

Um grande beijo demorado
No canto direito superior de tua boca
Beirando um desejo que pacientemente
Aguarda uma língua vindoura e oportuna
Em um momento inevitavelmente necessário
Vencendo o espaço tempo
E teu silencio ritual
Enquanto canto e tu só me escutas
Pela minha insistente vontade de te conquistar

Cuida-te!
Se tenho talento e beleza
Eles são teus
Deixe-me lê-la e escrevê-la
Que o respirar em teus arredores será vital e doloroso

Impacientes, os anos me cobram uma iniciativa
E minha idade briga com paixão por esses sonhos tolos
Sonhos que nos movem enquanto envelhecemos
Sendo apenas parcialmente felizes
Não se engane! Se não me engano, eu me apaixonei por ti
E a realidade me impulsiona a algo que terá sua hora
Reze pra que eu seja verdade
Que eu te realizarei todos os nossos desejos!

Retrato

É você quem domina a noite
Refletindo no mundo
Os seus delírios de luz,

Em teus retratos
Saudades?!

Pois teus ligeiros olhos, felina
Captam qualquer sentimento passageiro
Que eternizado em teus sonhos
Vive a expor a distancia
Ao ridículo de tua ausência
Ou da minha...

E tudo será então uma questão de angulo...

sábado, 22 de março de 2008

Penitência

Minhas carnes estão todas expostas.
O autoflagelo rompeu meu corpo
E rasgou minh’alma em transe

As vésperas de um novo sonho
Entôo cantigas aos deuses:
- Coração santo tu reinarás
E o nosso encanto sempre serás

Dores!
É isso que rezo
Mas não desprezo hoje o teu desamor
Prezo o meu céu que eu mesmo invento
E os deuses, os santos, os anjos e as almas
Penando existir.
Eu sinto.

Por uma questão de vento

Ainda estás magoada?
Se não estás
Estas palavras estão!

Lavra meu peito com tuas unhas
Tuas unhas de arado
De arame farpado
Teu fardo
Tua impaciência em farpas
Acordes de arpa que me penetram a carne
Me arde os olhos,
E teus olhos
Arranhando minha solidão
...
E por uma questão de vento
Não me vês, nem te vejo
Ciscos nos nossos desejos
Cegos, não vemos as flores
Mas, há um perfume
E nós sentimos
Nos sentimos enquanto vivos
Não?!

Realizam-se,
Vivos os nossos sonhos
Cada um com seu cada qual
E o que escrevo te beija a boca
Deixa-te louca
Deixo-te rouca
Mas não te deixo
Não?!

Ainda estás magoada?
Se não estás
Agora,
Apenas estas palavras estão


segunda-feira, 10 de março de 2008

Eu queria beber
Do teu beijo
Dormido
E guardado
Nos teus dias cantando
Do amor
Na sexta-feira santa
O pecado
Da reza
O percalço
O assobio
Noturno
Atrevido
O chamado
De longe
Respondido
Do carinho
O cheiro
Re-sentido
Do sentido
Que teu sentimento
Me deu

E que doeu!
E já que doeu
E hoje eu sinto
(Cantando) Eu sinto!
Muito...

sábado, 8 de março de 2008

Te perdoando a mim!

Eu fiquei encantado com tua luz
E agora só te vejo na lua cheia
Com a voz do vento cantando nas arvores
Andando e ouvindo o som das cores...

Sete vezes acertei teu caminho
Para só então te reencontrar
E viver como um felino
Vadiando os dois mundos
No fundo dos olhos
A te espreitar

Hoje ao ler o céu
Entendo tuas fases
E escrevo tuas frases em mim

... vôo no meu destino.

Seguirei a espiral
Nas vidas, os dias as estações
Mil vozes numa só, canções
Harmonias temporais, melodias em trovões
Tempestades pra lavrar meus olhos

Assim, posso (me) sentir melhor (nas) tuas palavras
E dizer o que sei sobre a vida
Dos que vivem e morrem da poesia, inconsciente.

O livro do amor, saudade e reencontro
Escreve-se com as coisas boas e ruins
Não me importo mais com os fins
Justificam, os meios, toda simplicidade
De sorrir e chorar, da necessidade
Pra se conseguir qualquer mínima evolução.

Hoje ao ler o céu
Traduzo tuas frases
E entendo tuas fases em mim

sexta-feira, 7 de março de 2008

Qual o teu signo?

E eu que sempre fui tão honesto comigo mesmo, o que dizer?!
Saudade de algo em que nunca vivi?
Um amor tão complexo de singelo
Verbos impronunciáveis por nunca serem o bastante
Vontade de correr as sete léguas do teu corpo em desencanto
Na hora exata em que a manhã se despir do dia
E eu me despedir de tudo o não que poderíamos ser.

Por uma questão de espaço, tempo e saudade inexplicável
A cor dos meus olhos sempre acesos às tuas candeias de luz
Vagarão como uma imaginação confusa e inquieta
Da direção do incontrolável desejo que você me despertar
Sedento por teus versos assim tão íntimos
Em uma vontade de te abraçar e provar do teu signo
Reinventando a lógica dos nossos ascendentes
No silencio que meu beijo te dará!

Sim menina, sou capricorniano.
E você?

quarta-feira, 5 de março de 2008

Livre arbítrio

Eu não sabia o que era aquele sentimento
E fiquei domado pela sua divindade
Tomado por um êxtase de medo e fascínio!
Perdido as contas
Perdido as pistas
Perdido a luta
Eu havia ganhado poder sobre sua força
E mesmo prezo àquela grandeza
Eu me sentia no comando dessa história
Que vivo e escrevo
Morro e descrevo
Como apenas uma das inúmeras vezes em que nos digladiamos
Entrebeijos com o destino.

Hoje reflito sobre nossa existência
E lembro do meu livre arbítrio.

Eterno amor passageiro

Esse teu desleixo de mim
Agride-me enquanto inbelo!

Torno a ser uma vontade qualquer
Uma necessidade comum
Como pintar os cabelos ou as unhas.
Fosse eu um desejo de sorvete, ao menos!
Um mousse de limão segunda à noite
Um doce de comer até enjoar...
Não essa saudade ruminante!!!

Bem, ao menos assim, eu me ensino a ser especial!
A ser flores nos momentos aparentemente sem importância!
(Pois flores especialmente é óbvio)
Ser um presente num dia inesperado
Uma canção que nasce na condução
Em um pensamento distante
Em um olhar pra alguém que me leia...

- Você! Isso! Você que me lê!
Eu me alheio a ti
E depois te mostro o que findei nessa reciprocidade
Enquanto não te olhava com os olhos.

Pela janela eu não via apenas a tristeza do mundo
Eu te sentia e meus sonhos comandavam minhas mãos
Oh! Meu novo e eterno amor passageiro!
Eu desesperadamente te beijava em palavras!
E sonhava com dias melhores...

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Na ira da saudade

Não lembro teu nome
Mas não esqueço teu rosto
E assim vivemos distantes
Tão perto um do outro

Teus olhos me chamam
Mas teu nariz empinado
Afasta-me as palavras
Antes que saltem da boca

Fosse um beijo, essa poesia sentida
Um abraço
No teu leve corpo em que traço
Um destino
Um sonho
Uma distante possibilidade
De te tocar
Com as ondas sonoras de meus desejos
Cantando
Reverberando, meu corpo e o teu
Em vibrandos de paixão.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Elipse do Destino

Não, eu não sou mais o mesmo
E vivo a circular o presente
Como um louco fingidor poeta
Nu teu peito em translação

Segui minha órbita
Em teus beijos, teu sorriso, teu olhar
Agora tuas tristezas também serão minhas constelações
E se me permitir canta-las
Eu não serei mais, apenas uma palavra sozinha no céu
E o teu próximo sonho, eu adivinharia
E eu até seria um pouco a saudade.
O sincero e encantador sorriso dos dias alegres
Os cabelos felizes e amados
Das noites cheirando a reencontro

Um doce sabor de plenitude
Ficaria marcado no canto direito superior de tua boca
Pregado na saliva em um restinho de carinho
Essa paixão que nasceu assim, inexplicável!
Simples, tímida e necessariamente perfeita
Alimentando-nos de recíproco desejo
Talhado em nossos corações de imburana.
Graça alcançada.

Por toda a eternidade
Num movimento celestial
Eu te rezo e te guardo

Somos o sol e a lua
Numa elipse do destino
Nosso amor, um eclipse.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Sabe aquelas coisas que ninguém tem coragem de falar?!

Eu falo!
Sem medir palavras
Sem temer o incerto
O olhar que cala
A mão que corrompe o gesto
O dedo que fala entreaberto
Apontando o que poderia ser simplesmente uma ameaça.

Meu pensamento corre da mesma forma que o tempo
Do mesmo modo que tenho coragem de me empenhar
Em te negar qualquer algo que possa me ferir
Ao menos em possibilidade
Eu sinto muito, mas agora sou,
Dono de minhas idéias
Senhor de minha epopéia
Cantor de minha tristeza
E se danço ao estar triste
É porque poesia existe
Mesmo pra o que não se escreve
Mesmo pra o que não merece
Existir escrito.

Incrédulo

Qual é o meu limite?

Até onde posso chegar sozinho?

Vejo-me sem chão, vejo-me sem céu

(O nada existe? Prefiro não citá-lo!)

Mesmo assim é demais saber que sou incrédulo

Que neguei os sinais

As evidências

Os astros

A essência


 

Ignorei o espírito...


 

Meu corpo e alma, separados, distantes!

Como um amor perdido no limbo

Uma explosão nuclear no vazio!


 

E assim nasceu a saudade.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Acordando-me

Hoje acordei com a luz da poesia me tocando o rosto!
Dei bom dia ao meu quarto
Beijei a rede que balançou comigo
Me declarei pra janela, que ficou só se abrindo
E fiquei todo sem jeito com a chegada da manhã
Que com ciúmes, me olhou e foi embora!
Escrevi a tarde…
E quando dei fé
A noite já estava me consolando
E eu cantava em seus braços.

Para a primeira estrela da manhã!

Daqui o horizonte futura-me
E eu tenho um desejo
Para primeira estrela da noite:
- Faz com que eu possa dançar
Essa tristeza em alegria
Tenha fé nessa chama que me guia
E veja além do horizonte
Através das nuvens do céu
O universo, à noite, o destino.

Você pra mim sempre foi um candeeiro
É o amanha um eterno nevoeiro
Que só bem de perto vai desenhando o presente.

Com um sonho incandescente

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Sentindo-se

Não esqueça das esperançosas tardes de luz branda
De seu particular brilho peculiar do meio tempo
Da espera, dos desejos...
E de tudo que se concretiza entre um segundo e outro de existência.
As sombras que dão forma as horas, o sentido do agora e sempre
O sentimento do depois e nunca!
A des-culpa do inocente mistério
Da ingênua e sábia felicidade
Tão complexa e desnecessária
Quanto essa distancia ainda não vencida!
Por quê?
Vivamos a tarde antes que seja tarde
E anoiteça e amanheça
Simplesmente...

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Verdade Universal

É complexa, a cosmogonia do meu peito

Observando as linhas espectrais de tua luz

Vamos nos aproximando com o que nos distancia

Meu universo e o teu, paralelos

Nossos Deuses, nossos elos

Tua cultura e a minha

Ciência e magia

Astrologia.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Minha voz não macia

Ela não era mais dona de meu sorriso
E me desencantou com uma voz que já passou da conta
Das doses, dos tragos, das posses, dos estragos
Da bebida amarga, outrora doce, que foram os beijos

Ela provou de minha voz não macia
E em goles largos de murmúrio e mágoas
Indeclarou sua incapacidade de amar
Num gesto dúbio de sorriso indiferença

Dava-lhe azia, minha tranquilidade
Ânsia de vômito, minha seriedade
Ela ruminou minhas palavras
Se negando a engolir aquela história

Eu olhei pra o céu, vi que as horas se iam
E sem querer perder mais tempo
Tirei meu chapéu, o anel, os inversos que nos uniam
E como um solo desafinado, estava a união de sonhos desfeita.

Não me lembro bem
Mas acho que era mais tarde do que nunca
Se era noite, dia ou madrugada
O que importava é que a vida agora amanhecia
Eu estava leve, e por dentro.
Então recitei um profundo silêncio
De olhar pro mundo e canção vazia.



O que você me fez?!

Ela me deu tudo o que não tenho
Tudo o que não somos
Nem o que seremos

Ela me deu o nada
Um olhar solto no tempo
Um suspiro sem saudade, sem maldade
Corroendo o céu sem vento

E daqui do alto dessa montanha
Com sonhos nublados
Bonitos pra viver
Eu penso:
- E se tudo fosse revivido?
Escreveríamos algo diferente?!...
Enquanto isso eu reinvento,
O que fomos, o que somos,
O que sempre seremos
Sem pormenores, mas em detalhes.
Tudo de insignificante...
Era o que mais importante

A cegueira que me fez ver
A surdez que me fez ouvir
A mudez que me fez falar
A distância que me fez sentir
A tristeza que me fez sorrir
A vida que me fez cantar.

A Opção de Amar

É de uma forma diferente que sinto as coisas
Hoje principalmente!
Por tanta maldade, pela idade, pela cidade, pelo sinal.
Por caridade!
Meu juízo pede esmolas de sossego aos anos
E o “Pobre de mim” Caçoa d'eu com uma complexa ignorância de minhas vestes
Tu que me veste! Tu que me vês como uma cega canção sem ter um nome
Sem nem aspereza que se sinta ao tocar
Algo do passado, perdido, sem cor nem cheiro
Uma canção não findada
Um acorde, dizendo dorme! Sem soar uma das notas! Notas?!
Lembra do que te mostrei? Do que vivemos?
Esse é um detalhe que não posso te cobrar
Mas deveria!
Você deveria saber sim, a diferença entre os som-nhos
É uma obrigação de quem escolhe a opção de amar.

Mistérios

Até quando fingiremos sorrisos distantes?
Sem traçarmos num compasso lógico
Uma meia boca de contentamento?!

Por dentro, em sentimentos, rasgando a pele
Somos apenas o reflexo das cores que nos tocam!

- E esse novo prisma (Ângulo) do mundo.
Nossa redescoberta fantástica
De tudo o que já conhecíamos, e sabíamos!
Um novo olhar sob os nossos velhos olhares.

E os mistérios que buscávamos desvendar
Apenas aumentavam aquela falsa indecisão.

Deveríamos apenas nos beijar
Pra depois deixarmos a reflexão!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Desconcerto

Fomos,

Foram,
Mil sonhos
Mil beijos
Mil brigas
E D esejos
Ontem,
Um desconcerto
Um desencontro
Ou um sorriso pronto.
Hoje
Só contos
Sejam-os um ou infinitos cantos,
Em mil palavras,
Ou num silêncio,
O desencanto
Do amor se recompondo
Em qualquer forma de amizade.
Até porque, levemos em conta, que até canto,
Mas, não sei, nunca conseguí
Aprender a contar
Saudades.

Voando Baixo

Na frieza da manhã
Encontro-me (cinza) no asfalto
Com as asas arrancadas
E as idéias espalhadas ao chão
- Quebraram o protocolo da vida!
Invadiram meu céu!
Roubaram minha liberdade!...
Atropelaram meu canto, meu sorriso.
E o meu destino espatifou-se comigo!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Amor de ontem

Por mim estaria tudo bem
Mas esse cheiro aborrecido
De saudade apodrecendo
Incomoda-me.
E eu não mais comerei
Lembranças estragadas
Mentiras mal lavadas
Mesmo na fome de ti
Na sede de ti
Nu desejo.
Seco.
Só.

Sóbrio

Responsabilizo os dias, sóbrio
Por essa loucura apaixonante em que anda minha vida
Declamo e beijo beijos, com sabor de sorrisos,
E observo os olhares atravessados
Atraversando na esquina.

São miragens essas imagens do destino
Feitos nuvens a revoar pelos céus em tempestade
Como crianças a flutuar e brincar de felicidade?!

No cangote do ridículo, vou como uma criança boba
Gritando uma frase ingênua, consentida, sem maldade...
E lembro do futuro, daquela tarde em que senti
O perfume das rosas costuradas na tua saia,
Realçavam a cor e o cheiro de tuas coloridas ex-mágoas
Ainda não sentidas

Quando esse vento arredio te percorria as pernas e assobiar
Essa canção plagiada de um velho amigo sem lembrança
Te trazia todas as recordações necessárias para a felicidade
O agora, o sonho, o carinho
O sentimento e a realidade.
Tudo isso num só, eterno, suspiro!

E vôo e sôo, numa ingênua canção
Perigosamente simples,
Com toda boa vontade
Que ainda resta no mundo.

Então reflito, num devaneio leve e profundo:
(Pensando alto em sua presença,
Na cena que antecede o reencontro)
- Por onde andava meu coração por todos esses segundos?!

Meu sonho era te realizar!

Dance comigo?!
Tenho uma flor nos dentes
Um trovão nos olhos
E um doce na língua

Cantemos essa canção nas nuvens
De almas suspensas no azul
Em uma tempestade de tranqüilidade
Só nós e as estrelas na timidez do dia
Com uma renovação a cada suspiro

Conheço-te bem,
E sei que tuas mãos me tocam diferente
E eu transpiro acordes enquanto dormes em meus braços,
Segura da felicidade inventada por nós
Realidade que tornou-se sonho
Sonho que não queria deixar de realizar.