As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Descanso

Os sonhos dormem
Acordam
Amanhecem conosco

Engatinham
Caminham
E até rastejam
Insones na madrugada

Vivenciam a solidão
Na liberdade e temor da estrada
Entresaudades e reencontros
O caminho me cansa o corpo
As voltas me deixam tonto
Por isso danço
A voz quase falha
De tanto que falo
Por isso canto
E me recompondo penso
Tudo o que sinto
E mesmo o que não digo
Vai além do físico
Reverbera no espaço
Desafia o tempo
Porque minha alma
É eterna enquanto música
Ressoa
Amor
Esperança
A tristeza se muito é uma pausa
O silêncio
Um leve descanso

sábado, 21 de novembro de 2015

À espera

Aqui à espera
Treino a paciência
Em uma quase infinita
Insistência
Ou anseio pela felicidade
Observo o tempo
Sinto o movimento das pessoas
O sentimento vivo da cidade
O canto invisível das árvores
O tímido verde que transpira
Pra o nosso desafogo
À sombra, projeções de outras vindas
Me fazem sonhar
Me vem um vislumbro
Remonto a lembrança
O calor e a saudade
Testam minha inabalável fé
E essa breve descrença
Me fortalece o espírito
Como quem espera pelo coletivo
Como quem espera por dias melhores
Por vidas melhores

Ao subir a montanha
O homem por pouco não percebe
O movimento
Os seres vivos que movem-se
Girando na terra, ao redor do sol
A uma velocidade descomunal
Como todos os outros corpos
Celestes, num caminho de luz
No abraço gravitacional
Da nossa estrela mais próxima

Durante bilhões anos
Em quase infinita espera
Minha tolerância e paciência
Agora parecem fazer sentido

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Alimento

Contrariando os céticos
Me alimentarei de amor
Sim. Esse será meu alimento.
Matarei a tristeza
A fome de desejo
A sede de carinho
Devorando a saudade
Acompanhada da solidão
Bebendo do vinho da amizade
Pelo gargalo! Sem temer embriagar-me
Como um tolo que foge dos sonhos reais
Depois de servida a poesia
De sentido o gosto da paixão
Podemos pensar melhor,
Mais claramente,
Sobre as necessidades do corpo
Agora não,
Agora minha alma está satisfeita
E paira na leveza da luz mineral
Puro, meu hálito e voz, suor e lágrimas
Expiram, vibram,
Transpiram
O inconfundível perfume
De tua fotossíntese

Alguém me falou que havia terminado uma relação. Disse que dentro do possível estava tudo bem, mas, que sentia algo que não sabia o que era, que não sabia se ainda era alguma forma de amor ou a inevitável dor de um fim. Pra começar, eu acredito que por fim, tudo é um processo, ai pensei assim:

- FIM
Sinto falta de algo
Que não lembro se é lembrança
Mas esqueço de esquecer.
Mal-bem querer? Fal'sesperaça?
O que o tempo tira
O tempo dá
O vento traz, o vento leva
Marés, luas, sentimentos...
É tudo natureza
É como tecer uma canção de amor
Pra alguém que nos faz sofrer
E que nos deu tanto prazer
Mas que também nos faz crescer
Na inevitável dor

- INÍCIO
A saudade é insistente
Fica na boca da gente
Como quem não come nada
E fica co’a fome entre os dentes

A saudade é estranha
Se esconde nas entranhas
Finge ser tranquilidade
Ao planejar mil artimanhas

A saudade é profética
Dorme e sonha em sua poética
E mesmo quando não tem rima
Segue em sua prosa estética

A saudade é desordeira
Quebra tudo, faz asneira
Grita pela madrugada
Que o amor é uma besteira

- MEIO
A saudade é afiada
Feito gente desamada
E se junta a solidão,
Essa velha desalmada
A sombra, o corpo, assombra a alma
Mesa, roupa, arma branca
Punhal, Faca, beijo-espada
Unhas, Línguas, dentes, mágoas
Sexto sentido, olhos e ouvidos,
Espaço-tempo, ciclos de lágrimas