As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

sábado, 18 de abril de 2015

Diálogos

Quando dei por mim
Estava à mesa
Em algum lugar
Entre Caetano Veloso e Russo Passapusso
As conversas, os assuntos atravessados
Entrecortados, aos sussurros e gritados
Esgoelados
A marcha engasga do ônibus
O bondinho não passado
A aniversariante sorridente embriagada
Os amigos cantando mais que o cantor
O violão tocando tanto quanto o tocador
Toda aquela algazarra era uma canção
Todo o dito barulho era uma harmonia
E eu sabia que até amanhecer o dia
O silêncio seria impróprio
Para os desejos mudos que atravessavam a mesa
Falavam os nossos olhos
Uma língua qualquer desconhecida
Por todos
Só entediamos e dialogávamos amor
Eu e ela, sem palavras
Assim foi a nossa primeira conversa

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