As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Casamento

Ele queria chorar
Ela não se deixava sorrir
Ele queria pintar
Ela não pensava em florir
Ele queria descer
Ela só pensava em subir
Em voar
Ele queria cantar
Ela não sabia
Que sabia ouvir

Depois de tanto se olharem
E imagens imaginarem
Não lembram bem, quem, ou o que gerou
O beijo que calou, os pensamentos,
Mas nem importava mais, agora era real
Eles queriam juntos coisas diferentes
E a vida era simples, não por acaso
Como brigar pela tampa aberta do vaso
Ou pelo aperto no meio da pasta de dentes
Ao mesmo tempo em que sentiam a injustiça dos homens
Encontravam-se quase sempre felizes e contemplados
Pelo saber feminino ancestral, natural das mulheres
Enquanto isso, Ana menina subia e descia tocando sua flauta
E Inspirado talvez, Pedro criança, aprendendo a saber ouvir
Pintava as paredes da casa

O mais novo, sendo tão novo
Ainda não sabia o que era nascer
E eles nem imaginavam
Que iriam discutir
Por mais um nome de bebê
Postar um comentário