As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Devaneio III (Warakidzã)

Deixei soar o acorde até o último instante
Alimentei a chama que dormia em meus lábios
E dei um trago, profundo na noite

Escorado ao violão que agora então repousava
Olhei pra o relógio a marcar zero hora
A fumaça me escapava dos dentes,
Eu senti o tempo quase pairado.

De repente, o som do freezer rompeu o silêncio,
Estrondou como um baixo de acordeão contando o ar
Sem fome, e sem pensamentos
Abro a porta da geladeira e num movimento de degelo automático
E em transe, pegando a caixa de leite,
Encadeado com luz que atravessa o vão semivazio da câmera fria
Vislumbrei um futuro e tornei a si

Durma ou madrugue
Entre o hoje e a manhã
Sempre me ressoa o corpo
E eu fico de alma tocado
Em alguma nova canção
Entoado
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