As palavras, em seus sons, estão aqui em processo, se transformando, como esse texto, incompleto, que um dia terminarei. O papel virtual de minhas realidades, sendo escrito enquanto logo, meus dados, na máquina, na rede de rendas digitais. Nas ladainhas, aboios e encantamentos, sentimentos ou/e em outros infindos indícios analógicos, que sim, ainda existem! E resistem, a qualquer falsa ou equivocada idéia de modernidade ou tecnologia. Tome cuidado com os meus acentos.
Eles podem brincar de mudar seus sentidos.
Estamos subentendidos?

sábado, 18 de outubro de 2008

Estação


Esperamos tanto...
Saudosistas
Com as imagens da infância nos acompanhando
Num devaneio sonoro de fim de tarde
Os vagões reverberando no encontro dos trilhos

Chega um momento em que não importa mais
A tristeza que errante se entrelaçando
Seguia a vida aparentemente contente
Entre os bons dias que escapavam da prisão dos dentes
E as automáticas respostas de "tudo bem".

Mas hoje meu bem
já nem leio ou escrevo em coletivos
Nos movimentos sinuosos de idas e vindas
Já não sou mais apenas aquilo que penso
Sou aquilo que sôo, pronuncio, exponho...
Tudo mudou
Quando você me ensinou a falar cantando

Nas linhas férreas de meu destino
O Trem enfim voltou
Por mim passou e me atropelando
Esmagou meus planos
A vida me feriu em toneladas de sonhos (de aço) sobre mim

No turvo céu do sudeste uma solitária estrela brilhou
E me espiando cintilou uma saudade

Eu estava ali, entre os mundos
Esperando uma passagem pra outros planos
Porque enfim, o trem voltou e passou por mim.
Na estação, me atropelando.
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